sexta-feira, 6 de julho de 2012

Faltam quantas creches em SP?

Esta semana acredito que nem as baratas paulistanas se surpreenderam com a dissimulação dos nossos governantes. Kassab, em um balanço das 223 metas para a cidade, admitiu ao SPTV  que sim, faltam vagas em creches para 150 mil crianças em São Paulo.

Disse o alcaíde que é um investimento contínuo e, portanto, difícil de fazer.

Segundo balanço do Movimento Nossa São Paulo esta é uma das 141 metas definidas em 2009 e que ainda não foram atendidas. Apenas 36% destas metas foram dadas como cumpridas pelo movimento.

Kassab, no entanto, prefere inverter a informação e fala de 73% de eficiência no cumprimento destas metas pelo simples fato de que elas estão sendo implementadas (isso desde 2009, se me lembro bem, e seria tempo para um aluno de creche graduar para a escola infantil).

Ontem, o SPTV nada questionou, nada rebateu, apenas aceitou a explicação de Kassab e hoje nem disponibiliza este vídeo em seu site para conferência.

O fato é que o vice do candidato Serra, ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider,  é um dos responsáveis por deixar 150 mil mães paulistanas rebolando para poder achar trabalho ou, se achar, ter que arcar do seu bolso o dinheiro para que alguém tome conta de seus filhos.

Ao Estadão, Serra fez pouco caso disso: ainda faltam vagas, mas as que existem são de boa qualidade, disse (ironizou?) ele.

Escolhendo o continuismo (leia-se Alexandre Schneider do PSD de Kassab) de sua cria, Serra mostra que nada pode mudar se eleito.

Pelo menos as baratas paulistanas não serão afetadas pela falta de políticas para a área de educação infantil: suas crias têm ootecas resistentes a quase tudo, e quando nascem - baratinhas brancas - elas sabem como sobreviver instintivamente escondendo-se da visão dos predadores (e dos governantes).

Será que teremos que adotar similar estratégia reprodutiva para viver em SP?

terça-feira, 3 de julho de 2012

Serra opta pela continuidade da obra de Kassab

Se o acordo entre PT e PP criou tanto alarme pela possibilidade de dar espaço para uma força conservadora num eventual governo petista na cidade de São Paulo, o acordo para o vice do Serra mostra que o tucano aposta na continuidade da atual administração.

Seu vice, do PSD do Kassab, será o ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider. A escolha causou furor no campo Tucano, pois, segundo reportagem da Carta Capital.

A grande imprensa prestou atenção nesta briga no ninho Tucano e seu significado  e enquanto Serra continua a fazer rir até a mais ingênua das baratas paulistanas ao tentar se passar de mocinho.

Segundo o semanário, ele disse que a escolha não foi por barganha política, e sim  porque " “O Alexandre tem uma suavidade indestrutível”, disse Serra, segundo quem Schneider será seu “lado bonzinho”".

domingo, 1 de julho de 2012

São Paulo dobra número de metas cumpridas no final do mandato, mas ainda está abaixo dos 50%

Para o Movimento Nossa São Paulo, apenas 36% das metas autodecalaradas pela prefeitura para a cidade de São Paulo em 2012 foram atingidas. Para a prefeitura, 73% de eficiência foi atingido e para o G1, tanto faz, o que vale é o registro de que os pré-candidatos estiveram presentes ao evento liderado por Oded Grajew (mas nem Serra nem Russomano aparecerem por lá).

O balanço apresentado pelo Movimento Nossa São Paulo é bem detalhado e é resultado de anos de trabalho que acompanhei desde o começo e que visa trazer critérios objetivos para avaliação das adminsitrações públicas. Pretendo trestrinchá-lo aqui em posts posteriores, pois são uma boa análise da cidade.

Transformada em lei, a definição, acompanhamento e cumprimento destas metas estão disponívels no site da prefeitura Agenda 2012, que vai até o final do mandato de Kassab.

Elas são bem detalhadas e contêm informações para cada uma das 31 subprefeituras (pois cada uma tem suas prioridades) e dos 96 distritos. No evento foram também apresentadas propostas para os candidatos presentes.

Segundo o quador resumo - que foi a única informação a ser divulgada pela imprensa na maioria dos casos - dos 223 programas, apenas 81 foram cumpridas. Do restante, 141 estão em andamento e 1 das metas não foi iniciada.

Em junho de 2011, o relatório da prefeitura mostrou que 15% das 223 metas tinham sido cumpridas, 83% estavam em execução e 3% ainda não tinham sido iniciadas. Interessante esta comparação, mostrando que de junho 2011 para cá houve uma aceleração no cumprimento das metas.

Mas, para além do quadro resumo, é preciso entrar nos detalhes e daí entender quais as prioridades desta administração.


Meta cumpridas 81 36,77%
Em andamento 141 63,23%
Não iniciada 1 0,45%
Total 223 100,00%

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A política 'minutófila'

O cálculo é feito em minutos neste estágio das campanhas eleitorais. Quanto mais exposição na TV, melhor. Acredito que os marqueteiros políticos tenham lá suas razões num mundo ultramediado pela televisão, mas há algo de perverso nesta equação já que considera os eleitores como postes que acreditam em belas imagens, discursos televisivos e soluções de gaveta.

E não existe um candidato que tenha coragem de quebrar esta lógica, mesmo que nas mesas de debates falem mal do sistema e a favor de uma reforma política. Estão todos rendidos e não vêem as alternativas que existem ao discurso hipodérmico da televisão.

Fechadas as alianças em torno da TV, tenho certeza que vão todos se embrenhar pelas redes sociais na Internet. Mas o diálogo não é o forte deles. Não só por que não sabem se comunicar com a população de maneira eficiente - com contratação de estagiários para ficar twitando e facebuqueando -, mas, principalmente, porque não têm conteúdo para oferecer já que não têm programa. Que programa haveria de existir entre PT e PP?

Personificada a eleição em torno de malufs, haddads, lulas, serras, alckmins e efeahagacês sobra pouco espaço para elaborar programas realmente inovadores.

Vão enunciar suas ideias, vão despejar carinho e atenção aos internautas, vão falar de segurança (sim, precisamos de mais segurança), saúde (o sistema público está falido), educação (dois professores por sala de aula), sustentabilidade (o meio ambiente é importante) e por aí vai. E vão existir os trolls dos dois lados fazendo o jogo sujo comandado pelas cúpulas enquanto Serra vai posar de John Wayne e falar que odeia o 'vale tudo'.

Espero que esteja errado, mas acho pouco provável não estar. O candidato que conseguir transpor esta lógica terá uma enorme oportunidade nas mãos.

Os veículos de comunicação estão desacreditados já que o esforço sobrehumano dos articulistas dos jornalões como Toledo, Noblat e outros de pintar de rosa e boas intenções a campanha do Serra e de podre a de Haddad (cujo nome evitam mencionar a todo custo) não convencem nem a mais inocente das baratas paulistanas.

Em tempo, comentário da imprensa hoje:





Forçada pela blogosfera e depois do estrago feito, a Folha hoje publica foto de Alckmin sorrindo de braços dados com Maluf em matéria falando que Maluf perdeu espaço em seu governo. Isto é cinismo, já que o fato da participação do Maluf no ninho tucano foi escondido até agora.





É uma brincadeira de mal gosto a coluna do José Toledo no Estadão de hoje tentando minimizar a importância dos minutos para Serra, como se os tucanos não tivessem tentado de tudo para embarcar Maluf e seus 1:35 na sua campanha.  













terça-feira, 19 de junho de 2012

Umas e outras - o estrago de Maluf e a saída de Erundina

Como dizem os sábios: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. O PT pagar o preço pedido por Maluf é uma coisa e o PSDB não querer pagar o cobrado é outra coisa.

Mas, o fato é que a cobertura dos jornais paulistas e nacionais é enviesada para dar a impressão que pragmatismo político é só do PT, enquanto os direitistas, tucanos e outros políticos afins, não se sujam.

Balela. Eles estão sujos até os colarinhos que cobrem suas gravatas Hermès. Até ontem, Maluf ditava regras em algumas repartições do Palácio dos Bandeirantes e foi duramente assediado pelo Serra, que não conseguiu, imagino eu, sobrepor as trincheiras da arrogância e ambição alckmistas que visam sucesso em 2014.

Mas os jornalões omitiram este fato e deram a impressão de que Maluf foi criação do PT e que só o PT se rebaixaria a fazer aliança com um procurado pela Interpol. Cardeais como são os tucanos, não sairiam, segundo a omissão dos articulistas políticos dos jornais, de sua altivez moral para tentar algo sequer parecido. A outra sujeira dos editorialistas paulistas é deixar a impressão de que Maluf pessoalmente assumiria algum cargo no governo Dilma...

Mas, São Paulo, por mais poderoso que seja, não é páreo para um cargo no governo federal. Isto é uma coisa (mal contada pela grande imprensa e melhor contada na blogosfera por Altamiro Borges e pelo Zé Dirceu).

E deu na outra coisa, que é exatamente o preço político desta aliança 'minutófila': a saída - por enquanto, pois em política nada é para sempre - da Erundina da campanha do Haddad.

Os estrategistas talvez estejam fazendo as contas e neste momento consideram mais importante contar segundos do que ter a coerência programática.

De uma certa maneira, o resultado foi o que os jornalões queriam ao tentar esconder do público os verdadeiros protagonistas desta pantomima sem graça. No entanto, ao meu ver, perde a candidatura de Haddad com esta brincadeira. Maluf agrega minutos - e, mais importantemente, os tira dos tucanos -, mas não traz votos.

Todas as baratas paulistanas sabem que quem vota Maluf não vota PT e quem vota PT não gosta nem de ver a sombra de Maluf. E duvido muito que os cinco pontos ganhos por Haddad tem a ver com Maluf. Mas quando se vê imagens iconoclásticas como as que vimos estampadas em toda a imprensa hoje, a rejeição é enorme e nem Erundina conseguiu segurar a barra.

Estaria tudo bem se a verdade fosse como querem os articuladores petistas que 'recebeu apoio' do Maluf, como, aliás já aconteceu antes. Mas não foi isso que deve ter ocorrido.

A negociação foi dura e, temo eu, programática. Se não fosse, Erundinda, tão clara na suas entrevistas no final de semana, não teria abdicado sua posição na chapa de Haddad. E Zé Dirceu, talvez um dos mais astutos analistas políticos deste país deu o recado bem dado no seu blog: a decisão é para a cúpula, e não se metam.

Escreveu o ex-presidente do PT:  "Petistas e aliados, por favor, sem esquecer que o foro mais adequado para debater e buscar a solução dessa questão é a coordenação e a direção política da aliança e da campanha do Fernando Haddad. Deflagrar um debate em torno disso em público e pela mídia é dar chumbo ao adversário".

É claro que há a necessidade de tomadas de decisões pelas cúpulas, mas a questão programática é a única que trará alguma qualidade à política é a última que cobram os jornalistas. É preciso discutir programas, pois eles contêm alguma solução de deixam claro o que é um campo e o que outro, antes que marqueteiros misturem as coisas.