quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Como o diabo gosta
Pela primeira vez desde o fim das eleições do ano passado, as forças que destruíram nossa alta estima podem relaxar e as imagino, agora, sentadas, com os pés na mesa, mãos por de trás da cabeça, sorrindo ao ler as manchetes da intensificação da crise política e econômica (em breve social) que aflige o país.
No últimos mais de 200 dias com a PF, o MP, o judiciário, os grupelhos golpistas, os velhinhos golpistas, a imprensa, alas do governo, o congresso por inteiro, a hipócrita oposição, o setor financeiro, os especuladores no mercado de ações e de câmbio vêm redobrando esforços para destruir o país, um partido, uma visão de nação, tudo por uma disputa cega, moralista e policialesca pelo poder.
Agora todos podem relaxar e gozar.
A coisa ganhou elán e já se embala com uma inércia própria: ninguém precisa fazer mais nada além de esperar para tomar o poder já que as empresas não investem, os juros sobem, as vendas caem, o desemprego aumenta, o governo corta, o congresso remenda adicionando gastos, o judiciário sobe no telhado com seus benefícios feudais, o PT rouba, o PSDB é premiado, a PF tá solta para prender todos todas as sextas com operações de nomes esdrúxulos, o MP controla o país, a 1ª instância do judiciário governa...
Mas o que eles não sabem é que nesta rota todos serão aniquilados e talvez, talvez, o maior ganho que teremos no futuro será ter revelado para o país e ao mundo as entranhas do modus operandi do capitalismo que com seus conchavos, financiamentos e lobbys multimilionários que sempre compraram o poder político.
Tudo parece ter sido negociado e cartelizado por valores em milhões de reais. Não há interesse público. Agora, como a política inteira está criminalizada, também será criminalizada toda relação entre o setor privado e o setor público.
Não poderá mais haver Estado. Mas não esqueçamos que estes mesmos conchavos e cartelização também ocorrem nas relações entre empresas privadas, agora livres para continuar com um Estado destruído por ele mesmo. Tudo sendo levado pelo ralo por um moralismo policialesco a 'la brasileira'.
Mas peraí, o diabo não existe, então ele não pode gostar de nada, então, quem gosta? E o povo em tudo isso?
domingo, 6 de setembro de 2015
Sobre Felicianos, Datenas, Russomanos e o fracasso das oposições
Feliciano é um político sectário - não porque é evangélico - de um partido nanico cristão. Datena é um ex-locutor de futebol, apresentador do pior programa policialesco brasileiro e que, portanto, surfa na onda da histeria anti-política que assola este país. Russomano, o quase prefeito das últimas eleições, quer mostrar que consertou o telhado de vidro que o catapultou do segundo turno do último pleito para alcaide.
Sozinhos, estes personagens não teriam importância, mas juntos, são os candidatos 'anti-haddad' sonhados pela oposição ao governo petista paulistano. Do mesmo lado oposicionista, tempos a ex-petista Marta Suplicy e o ex-Sabesp Andrea Matarazzo (que tem a unção de FHC, candidato derrotado à prefeitura da maior cidade do país).
Ajudando este estamento oposicionista, a mídia procura pelo em ovo para desabonar o governo do petista Fernando Haddad e manter seus índices de aprovação baixíssimos, como é de praxe para qualquer prefeito progressista da cidade.
Mas, ao traduzir este possível embate eleitoral para o plano nacional, é possível ver o fracasso das oposições contra o cambaleante governo federal petista: em mais de uma década, as oposições não conseguiram trazer novos nomes e tampouco conseguiram construir uma nova agenda para o país.
É constragedor, já que a única novidade na política oposicionista são os grupelhos de direita e ultraliberais com teses anacrônicas e desencontradas sobre o papel do Estado, sobre liberdade de expressão baseadas em suas análises históricas distorcidas.
Em tempos de 'impeachômetro', criado por um blog 'progressita' que mede a subida e descida do apoio político e popular à tese da destituição da presidente Dilma, este é um fato desalentador para o futuro do país.
O PT com Dilma - e até com Lula - não consegue mais se apoiar no capital político de crescimento econômico, distribuição de renda, reafirmação de direitos, política internacional soberana entre outras mudanças profundas que ajudaram a promover na sociedade brasileira.
Dizem alguns observadores que ciclo do Lulo-petismo acabou e um novo ciclo político-econômico precisa surgir. De fato, um novo ciclo precisa ser criado, mas mais pelo fracasso do nosso sistema político do que pelo suposto fracasso do chamado Lulo-petismo.
Mas, afundadas em acusações sem fim sobre o financiamento de campanha, as lideranças do PT mal conseguem convencer seus próprios eleitores que têm alguma visão de futuro para a nação.
Na mesma semana da criação da Frente Brasil Popular, um movimento de esquerda - formado por sindicatos e movimentos sociais, entre eles os poderosos MST e MSTS - a procuradoria geral da república, liderada pelo reconduzido Janot, abre investigação sobre os próceres da república para saber se o dinheiro das campanhas presidenciais petistas de 2006 a 2014 (só as campanhas petisras) teve origem no esquema de propinas montado na Petrobras.
A tese principal é que as doações legais tinham como base a aprovação pela diretoria da estatal de crimes como superfaturamento e formação de cartel na contratação de grande obras. Assim, a doação para o partido político no poder era fruto de achaques baseados no trâfego de influência política dos diretores apadrinhados.
No fundo, esta acusação é o início do melancólico final de todo um esquema político-econômico de controle do poder pelo sistema capitalista nacional.
Não há mais saída: em tempos de redes sociais e crescente digitalização da sociedade, o jeito de fazer política terá que mudar.
Certos que serão os herdeiros do poder após a derrota do PT - tanto nas eleições em 2018 ou em um eventual impedimento da chapa da presidente Dilma - as oposições esperam nos corredores chutando e guspindo no que acham ser o cachorro morto das esquerdas, lideradas pelo PT.
Mas, apesar do gritos de injustiça dos acusados (que apontam o dedo para a peserguição), a fúria policialesca-jurídica-moralista-midiática que agora se torna contra o partido no poder com certeza se tornará contra a oposição de esquerda, de centro ou de direita que assuma o poder, porque estamos falando da criminalização da política.
Nos mais de 5 mil municípios e nos 27 estados país afora, sempre se encontrarão correlações estatísticas entre as doações de campanha e contratos dos doadores com o setor público. A partir daí, as ligações pessoais por meio de reuniões, telefonemas, e-mails e até viagens entre lideranças políticas e empresariais se encaixarão como uma luva na tese de lavagem de dinheiro de contratos expúrios e não transparentes.
E não só no Brasil. Nos Estados Unidos - onde a atividade de Lobby é legalmente reconhecida - , na União Européia ou no Japão a correlação entre o dinheiro e contratos com grandes grupos são comuns. E, de fato, foram muitas das origens dos grandes escândalos políticos na história do século XX e XXI.
Mas, ficar apenas nas constatação de que a política moderna nas grandes democrácias é movida a dinheiro, não nos ajuda dar um pequeno passo sequer em direção à construção de um novo futuro.
Cá entre nós, quem realmente se surpreende - a não ser os moralistas e totalitários de plantão - que empresas e grupos econômicos olham doações de campanha como investimentos? No tucanistão de São Paulo ou na república Lulo-petista, a história se repete.
E aí, quando as oposições deveriam aproveitar o enfraquecimento político do governo e o seu próprio ostracismo do poder central no país para debater, procurar e formar novas teses e lideranças, tudo é jogado no ar na esperança de que a maioria da população vai acreditar que eles serão a redenção.
O sinal mais forte disso é o rol de pré-candidatos que se apresentam para a prefeitura de São Paulo. Feliciano, alçado à notoriedade pelo seu arraigado preconceito contra todos os não cristãos; Datena com seu tom histriônico anacronicamente pedindo para a polícia - que ele não controlará se eleito - para sumariamente assassinar supostos bandidos; e o bom moço do liberalismo do Morumbi, Russomano, vociferando contra as pequenas empresas - e esquecendo as grandes doadoras para suas campanhas - olha para cidadãos apenas como consumidores.
Um atavismo político inacreditável.
À espreita deste não debate político, uma direita totalitária pronta para destruir o Estado, atacar minorias e todos os direitos sociais conquistados pelos brasileiros nas últimas décadas.
As bandeiras vermelhas, alçadas contra o ajuste fiscal do governo que elegeram e contra o eterno imperlialismo ianqui que quer destruir a Petrobras, também têm sua dose de anacronismo histórico, mas estes estão mais perto de um caminho futuro para o Brasil.
Firme entre as propostas da Frente Brasil Popular está a ideia de uma assembleia para fazer uma profunda reforma política. Uma assembleia popular aliada a um debate nacional intenso sobre o tema.
No fulcro desta proposta está a reeducação política da nação e, principalmente, dos nossos jovens.
Desde a redemocratização, nossos jovens foram deseducados políticamente - de um lado pelo desmandos dos políticos e empresários e do outro pela constante campanha da mídia. Mas, principalmente, pela falta de coragem dos democratas de garantir a investigação e punição dos crimes cometidos durante a ditadura e a construção de um sistema democrático de comunicação.
Acreditavam que a conciliação, sem confrontos, resolveria tudo. Acreditavam em Papai Noel.
Muitos destes jovens hoje são adultos e pais de famílias e outros agora entram na vida política nacional, com direito a votar com 16 anos. E eles ignoram os desmandos do passado.
O debate sobre o que é política e como se faz política é de extrema urgência. Precisamos que nossa política ressurja como um Fênix das cinzas da velha política.
A população Brasileira precisa, de fato, aprender o que é representação, pacto federativo, estado de bem estar social, Estado de direito e proteção de minorias. Precisam conhecer a fundo a nossa história não tão republicana para entender que o que existe de liberdade e direitos hoje é fruto de sacrifício de muitos que lutaram e acreditaram num futuro.
Os nossos jovens precisam entender os sistemas de pesos e contrapesos do sistema tripartide de poder para daí começar a debater os novos sistemas de representação e participação política, utilizando mecanismos digitais aos quais estão acostumados.
Não podemos deixar que ideias antigas e conceitos anacrônicos moldem a nova política que temos que construir. Temos que canalisar a inovação social acumulada na sociedade para podermos transformar a terra arrasada na política.
Felicianos, Datenas e Russomanos sempre vão aparecer, e podem sempre ser eleitos, mas só com uma reforma política abrangente, popular e inovadora que eles não serão usados pelas fracassadas oposições e pela destruída situação como um Cavalo de Tróia para alçar mais um salvador da pátria ao poder.
Não somos nem almas a espera de uma slavação, nem anjos vingadores e nem consumidores frustrados, como querem Feliciano, Datena e Russomano.
Somo cidadãos.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Manifestantes da direita não ouviram o recado dos que ficaram em casa
Pelo que li, talvez umas 200 mil pessoas no país inteiro foram às ruas pedir alguma coisa como o fim do PT, impeachment e/ou prisão da presidente, 'fora' Lula (não sei de onde), fim das esquerdas, volta de um regime militar e outras atrocidades contra a língua portuguesa - a mais fina Flor do Lácio - e contra a nossa história, que não ouso reproduzir.
Para meus filhos - um, que está no início da adolescência e outro, no final da infância - é tudo muito curioso, pois no ambiente em que vivem na escola ou entre amigos não há dissidência: é um blá-blá-blá contra a Dilma e PT e políticos e tudo que está aí.
Um deles frequenta uma escola particular na Zona Norte de São Paulo. O outro, está em uma escola técnica pública do ensino médio. Ambas boas escolas, mas que refletem uma predominância de opiniões apolíticas que circulam na mídia e nas redes sociais, com críticas rasas ao que está acontecendo.
Por isso, eles ficam fascinados quando eu me recuso a xingar os manifestantes ou governos com os quais não concordo, preferindo analisar a situação do ponto de vista histórico, social e político.
O que intrigou meus filhos foi o fato de muitos nas ruas pedirem intervenção militar. No dia a dia deles não há como entender o que é isso a não ser quando eu ou parte da família deles explicam o que é uma intervenção militar e os resultados da última que o país sofreu em 1964.
No entanto, eles têm consciência que estão vivendo dias históricos, mas acharam curioso pedir intervenção militar em país que vive a mais plena democracia.
Mas, como disse, a 'grande manifestação' ficou de bom tamanho, ou seja, tamanho suficiente para ver a alienação histórica e social de uma minoria histriônica. Não vou brigar com números, pois eles já não são importantes e nem quero aqui fazer análises conclusivas. Quero apenas publicar impressões pessoais.
Portanto, o que, na verdade, importa é o recado de grupos que não conseguem mais mobilizar além de um teto dezenas de milhares de pessoas pois seu radicalismo vazio de propostas não atrai a maioria.
Se de um lado falta à presidenta Dilma a estatura de líder político capaz de representar os sonhos de uma nação e pôr um ponto final nesta brincadeira, do outro - o dos organizadores da manifestação - também não há líderes que explicam qual é a visão deles para o futuro da nação.
O fim da corrupção perpetrada por alguns, tão repudiada por eles, é um sonho, mas eles não explicam como vão fazer isso.
Os animadores nos carros de som neste final de semana ficaram apenas repetindo o que disse o ex-candidato do PSDB, Aécio Neves, em plena campanha eleitoral no ano passado, que bastava tirar o PT do poder para tudo melhorar.
Uma indignação mais do que seletiva.
Esta 'solução' não convence uma maioria que, apesar de estar desiludida com o governo, tem experiência de 30 anos de democracia e que, a cada dois anos, se acostumou participar de um debate - mesmo que mínimo - sobre propostas para o futuro da cidade e do país.
Pessoas que já elegeram um governante e depois outro que estava na oposição e sabem que terão a chance de eleger mais outro ano que vem e daqui a quatro anos.
A mensagem dos que não foram à rua foi mais forte do que o recado do raquítico grupo de radicais: sem propostas para o país, não há apoio.
Talvez uma luz sobre o que está acontecendo vem de uma pesquisa recente mostrando que 71% acreditam que a oposição quer o impeachment puramente por interesses próprios.
Mas, para muitos, a troca da mandatária não seria seis por meia dúzia, seria sim trocar o certo pelo incerto e aprofundar de vez a crise política que já está esgotando a paciência da população que começa também a enfrentar uma crise econômica.
E todos sabem: sem o fim da crise política, a crise econômica se alonga e se aprofunda, pois sabem que só um mínimo de governabilidade dará a chance para o país sair desta.
É claro que houve uma mudança de posição entre os líderes empresariais e da mídia contra esta crescente desestabilização econômica para criar este clima, mas é apenas o outro lado da mesma moeda.
Os 'Aloprados' On-line, o MBL, os #vemprarua e outros grupelhos não entendem o recado dos que ficaram em casa: lhes sobra arrogância e lhes falta densidade política para compreender que não têm credibilidade política para mover massas além do seu próprio deslumbre pela notoriedade que conquistaram nas redes como Facebook e WhatsApp.
Nas ruas e na política real, o jogo é outro. No asfalto, o povo não é bobo.
E por isso mesmo que nada está ganho para o governo.
O movimento preocupante a favor do impeachment, aquele que goza de apoio dentro do próprio estamento politico e jurídico, ainda está vivo, apesar de não estar legitimado pelas ruas.
Há muito que fazer no campo político, mas, cada vez mais, os políticos percebem que precisam buscar o mínimo de governabilidade para que as conquistas sociais e políticas das últimas décadas - inclusive as deles de serem eleitos - não sejam jogadas fora e, com elas, qualquer possibilidade de continuar na vida política sem ameaças e sobressaltos.
O fascismo está, de fato, batendo às portas. Este é o outro recado destas manifestações: os radicais se mobilizam pelo silêncio dos outros.
Finalmente, acredito que a única conclusão contudente que podemos tirar do show de horrores que vimos neste final de semana é que direita está aí, forte, se alimentando da decepção das pessoas.
A semana começa, etretanto, com uma luz no final de túnel que há ainda um pouco de sanidade entre as lideranças políticas e empresariais de deste país que já perceberam que o povo não cai facilmente em ladainhas.
Trocando em miúdos, sem ter a legitimidade de uma eleição, o povo não aceitará troca na liderança do país. O brasileiro ainda tem muito a perder.
sábado, 15 de agosto de 2015
Neste domingo, diga não ao retrocesso: fique em casa
Seria fácil: você não gosta de um governante, vai para a rua no seu dia de folga, pede sua saída e o referido governante abandona o cargo com o rabo entre as pernas e vai para casa. Seria fácil se o Brasil não fosse uma democracia, se a mandatária do país não tivesse os legítimos votos da maioria, inclusive o meu.
Esta maioria que elegeu a presidente não está mais calada e não ficará inerte. A reação na política é uma lei parecida à terceira lei de Newton.
Este é um recado principalmente àqueles que são democratas e não estão convictos, pois com os não democratas que vão pra Paulista e outras avenidas centrais das grande cidades neste domigo, não há diálogo.
O que os move não é a visão de um país melhor, mas sim o ódio ideológico e seletivo, a ignorância e o nilhilismo político. Estes ignorantes insuflam ânimos, levantam bandeiras supostamente morais e surfam em hipocrisia, mentiras e no sonho de desfazer avanços sociais duramente conquistados nas últimas décadas.
Para eles, o Brasil é uma merda.
E talvez por isso não se importam que no rastro destes grupelhos que se dizem 'revolucionários' vêm um bando de atávicos trogloditas que sequer entendem o que é debate democrático. Alguns que, sem o mínimo pudor, querem ditadura militar e calar quem não concorda com eles.
Por isso, caro potencial manifestante de camisa canarinho, a responsabilidade é sua.
A reação virá. Os oportunistas de plantão não têm legitimidade para assumir um governo democrático, eleito pelo sufrágio livre. E pior, sequer têm um programa para governar a nação.
Neste domingo, veremos de novo este show de horrores anti-democráticos e claramente fascitas.
Você, incauto manifestante, estará abrindo o porão do preconceito, do ódio, da truculência e, por que não, do crime de tortura, não para entender o passado e melhorar o futuro, mas sim para elevá-los um degrau mais perto do poder político.
A reação virá também por meio de anos de retrocesso político, econômico e social. E não pense você que ficará a salvo atrás de suas guaritas blindadas e dos homens de terno preto que fazrm segurança nos shoppings.
O resultado da destituição da presidenta por outro meio que não seja o voto em 2018, abrirá a porteira da instabilidade econômica e sobretudo política.
Você terá que escolher um lado. E se escolher o lado errado, terá que fechar os olhos para toda sorte de desmandos, perseguições e crimes.
Se escolher o lado certo, será perseguido, calado, preso e quem sabe torturado. Eles já anunciaram que farão isso, só não entendeu quem não quis.
A escolha, no final, é sua.
E não será fácil, pois não se abandona mais de 40 anos de luta pela democracia para deixar que os brasileiros sejam destituídos das grande conquistas sociais desde a redemocratização.
Se você acredita que é fácil, está sendo enganado pelos falsos líderes trogloditas, pelos seus familiares, pelos moralistas e indignados seletivos e pelo ódio.
O único caminho hoje é o fortalecimento das instituições democráticas, o debate político, a honestidade e a transparência.
Todo o resto é enganação e faz-se necessário escolher seu lado desde já.
O fracasso da manifestação de domingo é o caminho mais rápido para a volta à normalidade, à busca de uma solução democrática para nossos problemas e a saída fa crise econômica.
Portanto deixe esta minoria se manifestar, afinal, estamos em uma democracia. Mas deixe eles serem honestamente retratados pelo que realmente são: uma minoria, anti-democrática, inconsequente que acha que no nosso Brasil democrático é uma merda.
Se você acredita no Brasil, respeite esta minoria e, sobretudo, respeite a nossa duramente conquistada democracia.
Fique em casa, e goze de um fim de semana com quem você mais preza.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
A caravana a favor da democracia - Vamos conversar Aécio?
Não cabe aqui comentar o fracasso, mas, na grave situação política do Brasil, não dá para entender o que busca o ex-candidato.
Em momentos de crise, quando o desemprego ameaça crescer, quando o governo coloca em prática restrições fiscais que ameaçam tirar serviços sociais essencias ou reduzir o escopo da rede de bem estar social, quando o mercado se encontra em alvoroço com denúncias graves de corrupção em grupos gigantes que carregam parte do PIB nacional e quando a sociedade brasileira se encontra em um nível de beligerância social e política pouca vezes vista desde a fundação da república, Aécio prefere os holofotes fáceis da imprensa.
Aécio e os políticos oposicionistas apostam na benevolência da mídia para fazer o que bem entendem. Ou seja, vociferar e destruir o governo, para ameaçar, bater pé e fazer birra até com projetos baseados em teses com as quais históricamente concordam.
Neste momento de crise, o que os brasileiros precisam é de ver uma luz no final do túnel, mas, da boca de Aécio Neves, nada de propostas.
Se temos um governo fraco, temos uma oposição pueril.
Fica aqui a dica para o senador mineiro, presidente do principal partido de oposição: suma dos holofotes por alguns meses e faça uma caravana pelo Brasil mais profundo. Vá as mais obscuros rincões do país. Ouça a população para entender os seus anseios e discuta conosco o que é preciso para construir uma nova visão de país.
E, sobretudo, ignore os bajuladores de plantão na região sul-sudeste e, principalmente na mídia.
Depois de se reunir, conhecer e ouvir a população, apresente, para um debate amplo, propostas que acendam uma luz no final do túnel.
A democracia necessita de discussão de teses para o país e a oposição falha (e falhou nos últimos pleitos) por não ter propostas, por não ter visão de país, por não saber como consolidar os avanços sociais recentes sem destruir a visão liberal antagônica à política do governo Dilma.
Em tempos de globalização e de redes sociais, a democracia precisa e pode ser aprofundada, mas Aécio fala em democracia apenas em teoria e prefere a ditadura do judiciário que estamos arriscando a promover. Reforma política? Aécio não sabe e nem tem opinião.
Aécio, principal líder da oposição, se agarrou à nave raivosa de gupelhos anti-democráticos e com eles levou seu partido para o abismo da radicalização e do atavismo político.
Aécio, o tempo todo, joga com a revolta contra a corrupção, usa o STF e o TCU como joguetes para seus delírios de poder, apóia CPIs no congresso que querem apenas jogar para a platéia e, dizem as más línguas, prefere tomar sol no Leblon ao invés de conversar com seus constituintes em Minas Gerais.
Não sabemos o que pensa o senador, alçado a principal líder da oposição pela imprensa com 35% das intenções de voto.
Aécio, vamos conversar? Vamos buscar uma luz no final do túnel?
Ou ele está esperando a contratação de marqueteiros para 2018 para lhe dizer o que ele deve pensar sobre o futuro do país.
A vida é feita de oportunidades - perdidas na sua maior parte ou abraçadas em poucas e singelas ocasiões. Aécio tem uma oportunidade incontesta à sua frente, mas prefere ignorá-la.
Pior para o Brasil e para a democracia mundial.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Umas e outras - o estrago de Maluf e a saída de Erundina
Mas, o fato é que a cobertura dos jornais paulistas e nacionais é enviesada para dar a impressão que pragmatismo político é só do PT, enquanto os direitistas, tucanos e outros políticos afins, não se sujam.
Balela. Eles estão sujos até os colarinhos que cobrem suas gravatas Hermès. Até ontem, Maluf ditava regras em algumas repartições do Palácio dos Bandeirantes e foi duramente assediado pelo Serra, que não conseguiu, imagino eu, sobrepor as trincheiras da arrogância e ambição alckmistas que visam sucesso em 2014.
Mas os jornalões omitiram este fato e deram a impressão de que Maluf foi criação do PT e que só o PT se rebaixaria a fazer aliança com um procurado pela Interpol. Cardeais como são os tucanos, não sairiam, segundo a omissão dos articulistas políticos dos jornais, de sua altivez moral para tentar algo sequer parecido. A outra sujeira dos editorialistas paulistas é deixar a impressão de que Maluf pessoalmente assumiria algum cargo no governo Dilma...
Mas, São Paulo, por mais poderoso que seja, não é páreo para um cargo no governo federal. Isto é uma coisa (mal contada pela grande imprensa e melhor contada na blogosfera por Altamiro Borges e pelo Zé Dirceu).
E deu na outra coisa, que é exatamente o preço político desta aliança 'minutófila': a saída - por enquanto, pois em política nada é para sempre - da Erundina da campanha do Haddad.
Os estrategistas talvez estejam fazendo as contas e neste momento consideram mais importante contar segundos do que ter a coerência programática.
De uma certa maneira, o resultado foi o que os jornalões queriam ao tentar esconder do público os verdadeiros protagonistas desta pantomima sem graça. No entanto, ao meu ver, perde a candidatura de Haddad com esta brincadeira. Maluf agrega minutos - e, mais importantemente, os tira dos tucanos -, mas não traz votos.
Todas as baratas paulistanas sabem que quem vota Maluf não vota PT e quem vota PT não gosta nem de ver a sombra de Maluf. E duvido muito que os cinco pontos ganhos por Haddad tem a ver com Maluf. Mas quando se vê imagens iconoclásticas como as que vimos estampadas em toda a imprensa hoje, a rejeição é enorme e nem Erundina conseguiu segurar a barra.
Estaria tudo bem se a verdade fosse como querem os articuladores petistas que 'recebeu apoio' do Maluf, como, aliás já aconteceu antes. Mas não foi isso que deve ter ocorrido.
A negociação foi dura e, temo eu, programática. Se não fosse, Erundinda, tão clara na suas entrevistas no final de semana, não teria abdicado sua posição na chapa de Haddad. E Zé Dirceu, talvez um dos mais astutos analistas políticos deste país deu o recado bem dado no seu blog: a decisão é para a cúpula, e não se metam.
Escreveu o ex-presidente do PT: "Petistas e aliados, por favor, sem esquecer que o foro mais adequado para debater e buscar a solução dessa questão é a coordenação e a direção política da aliança e da campanha do Fernando Haddad. Deflagrar um debate em torno disso em público e pela mídia é dar chumbo ao adversário".
É claro que há a necessidade de tomadas de decisões pelas cúpulas, mas a questão programática é a única que trará alguma qualidade à política é a última que cobram os jornalistas. É preciso discutir programas, pois eles contêm alguma solução de deixam claro o que é um campo e o que outro, antes que marqueteiros misturem as coisas.



