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domingo, 6 de setembro de 2015
Sobre Felicianos, Datenas, Russomanos e o fracasso das oposições
Feliciano é um político sectário - não porque é evangélico - de um partido nanico cristão. Datena é um ex-locutor de futebol, apresentador do pior programa policialesco brasileiro e que, portanto, surfa na onda da histeria anti-política que assola este país. Russomano, o quase prefeito das últimas eleições, quer mostrar que consertou o telhado de vidro que o catapultou do segundo turno do último pleito para alcaide.
Sozinhos, estes personagens não teriam importância, mas juntos, são os candidatos 'anti-haddad' sonhados pela oposição ao governo petista paulistano. Do mesmo lado oposicionista, tempos a ex-petista Marta Suplicy e o ex-Sabesp Andrea Matarazzo (que tem a unção de FHC, candidato derrotado à prefeitura da maior cidade do país).
Ajudando este estamento oposicionista, a mídia procura pelo em ovo para desabonar o governo do petista Fernando Haddad e manter seus índices de aprovação baixíssimos, como é de praxe para qualquer prefeito progressista da cidade.
Mas, ao traduzir este possível embate eleitoral para o plano nacional, é possível ver o fracasso das oposições contra o cambaleante governo federal petista: em mais de uma década, as oposições não conseguiram trazer novos nomes e tampouco conseguiram construir uma nova agenda para o país.
É constragedor, já que a única novidade na política oposicionista são os grupelhos de direita e ultraliberais com teses anacrônicas e desencontradas sobre o papel do Estado, sobre liberdade de expressão baseadas em suas análises históricas distorcidas.
Em tempos de 'impeachômetro', criado por um blog 'progressita' que mede a subida e descida do apoio político e popular à tese da destituição da presidente Dilma, este é um fato desalentador para o futuro do país.
O PT com Dilma - e até com Lula - não consegue mais se apoiar no capital político de crescimento econômico, distribuição de renda, reafirmação de direitos, política internacional soberana entre outras mudanças profundas que ajudaram a promover na sociedade brasileira.
Dizem alguns observadores que ciclo do Lulo-petismo acabou e um novo ciclo político-econômico precisa surgir. De fato, um novo ciclo precisa ser criado, mas mais pelo fracasso do nosso sistema político do que pelo suposto fracasso do chamado Lulo-petismo.
Mas, afundadas em acusações sem fim sobre o financiamento de campanha, as lideranças do PT mal conseguem convencer seus próprios eleitores que têm alguma visão de futuro para a nação.
Na mesma semana da criação da Frente Brasil Popular, um movimento de esquerda - formado por sindicatos e movimentos sociais, entre eles os poderosos MST e MSTS - a procuradoria geral da república, liderada pelo reconduzido Janot, abre investigação sobre os próceres da república para saber se o dinheiro das campanhas presidenciais petistas de 2006 a 2014 (só as campanhas petisras) teve origem no esquema de propinas montado na Petrobras.
A tese principal é que as doações legais tinham como base a aprovação pela diretoria da estatal de crimes como superfaturamento e formação de cartel na contratação de grande obras. Assim, a doação para o partido político no poder era fruto de achaques baseados no trâfego de influência política dos diretores apadrinhados.
No fundo, esta acusação é o início do melancólico final de todo um esquema político-econômico de controle do poder pelo sistema capitalista nacional.
Não há mais saída: em tempos de redes sociais e crescente digitalização da sociedade, o jeito de fazer política terá que mudar.
Certos que serão os herdeiros do poder após a derrota do PT - tanto nas eleições em 2018 ou em um eventual impedimento da chapa da presidente Dilma - as oposições esperam nos corredores chutando e guspindo no que acham ser o cachorro morto das esquerdas, lideradas pelo PT.
Mas, apesar do gritos de injustiça dos acusados (que apontam o dedo para a peserguição), a fúria policialesca-jurídica-moralista-midiática que agora se torna contra o partido no poder com certeza se tornará contra a oposição de esquerda, de centro ou de direita que assuma o poder, porque estamos falando da criminalização da política.
Nos mais de 5 mil municípios e nos 27 estados país afora, sempre se encontrarão correlações estatísticas entre as doações de campanha e contratos dos doadores com o setor público. A partir daí, as ligações pessoais por meio de reuniões, telefonemas, e-mails e até viagens entre lideranças políticas e empresariais se encaixarão como uma luva na tese de lavagem de dinheiro de contratos expúrios e não transparentes.
E não só no Brasil. Nos Estados Unidos - onde a atividade de Lobby é legalmente reconhecida - , na União Européia ou no Japão a correlação entre o dinheiro e contratos com grandes grupos são comuns. E, de fato, foram muitas das origens dos grandes escândalos políticos na história do século XX e XXI.
Mas, ficar apenas nas constatação de que a política moderna nas grandes democrácias é movida a dinheiro, não nos ajuda dar um pequeno passo sequer em direção à construção de um novo futuro.
Cá entre nós, quem realmente se surpreende - a não ser os moralistas e totalitários de plantão - que empresas e grupos econômicos olham doações de campanha como investimentos? No tucanistão de São Paulo ou na república Lulo-petista, a história se repete.
E aí, quando as oposições deveriam aproveitar o enfraquecimento político do governo e o seu próprio ostracismo do poder central no país para debater, procurar e formar novas teses e lideranças, tudo é jogado no ar na esperança de que a maioria da população vai acreditar que eles serão a redenção.
O sinal mais forte disso é o rol de pré-candidatos que se apresentam para a prefeitura de São Paulo. Feliciano, alçado à notoriedade pelo seu arraigado preconceito contra todos os não cristãos; Datena com seu tom histriônico anacronicamente pedindo para a polícia - que ele não controlará se eleito - para sumariamente assassinar supostos bandidos; e o bom moço do liberalismo do Morumbi, Russomano, vociferando contra as pequenas empresas - e esquecendo as grandes doadoras para suas campanhas - olha para cidadãos apenas como consumidores.
Um atavismo político inacreditável.
À espreita deste não debate político, uma direita totalitária pronta para destruir o Estado, atacar minorias e todos os direitos sociais conquistados pelos brasileiros nas últimas décadas.
As bandeiras vermelhas, alçadas contra o ajuste fiscal do governo que elegeram e contra o eterno imperlialismo ianqui que quer destruir a Petrobras, também têm sua dose de anacronismo histórico, mas estes estão mais perto de um caminho futuro para o Brasil.
Firme entre as propostas da Frente Brasil Popular está a ideia de uma assembleia para fazer uma profunda reforma política. Uma assembleia popular aliada a um debate nacional intenso sobre o tema.
No fulcro desta proposta está a reeducação política da nação e, principalmente, dos nossos jovens.
Desde a redemocratização, nossos jovens foram deseducados políticamente - de um lado pelo desmandos dos políticos e empresários e do outro pela constante campanha da mídia. Mas, principalmente, pela falta de coragem dos democratas de garantir a investigação e punição dos crimes cometidos durante a ditadura e a construção de um sistema democrático de comunicação.
Acreditavam que a conciliação, sem confrontos, resolveria tudo. Acreditavam em Papai Noel.
Muitos destes jovens hoje são adultos e pais de famílias e outros agora entram na vida política nacional, com direito a votar com 16 anos. E eles ignoram os desmandos do passado.
O debate sobre o que é política e como se faz política é de extrema urgência. Precisamos que nossa política ressurja como um Fênix das cinzas da velha política.
A população Brasileira precisa, de fato, aprender o que é representação, pacto federativo, estado de bem estar social, Estado de direito e proteção de minorias. Precisam conhecer a fundo a nossa história não tão republicana para entender que o que existe de liberdade e direitos hoje é fruto de sacrifício de muitos que lutaram e acreditaram num futuro.
Os nossos jovens precisam entender os sistemas de pesos e contrapesos do sistema tripartide de poder para daí começar a debater os novos sistemas de representação e participação política, utilizando mecanismos digitais aos quais estão acostumados.
Não podemos deixar que ideias antigas e conceitos anacrônicos moldem a nova política que temos que construir. Temos que canalisar a inovação social acumulada na sociedade para podermos transformar a terra arrasada na política.
Felicianos, Datenas e Russomanos sempre vão aparecer, e podem sempre ser eleitos, mas só com uma reforma política abrangente, popular e inovadora que eles não serão usados pelas fracassadas oposições e pela destruída situação como um Cavalo de Tróia para alçar mais um salvador da pátria ao poder.
Não somos nem almas a espera de uma slavação, nem anjos vingadores e nem consumidores frustrados, como querem Feliciano, Datena e Russomano.
Somo cidadãos.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Manifestantes da direita não ouviram o recado dos que ficaram em casa
Ficou no tamanho certo, a manifestação da direita do dia 16. Esta foi, em resumo, a minha resposta aos meus filhos que, curiosos, queriam saber o que eu tinha achado das manifestações.
Pelo que li, talvez umas 200 mil pessoas no país inteiro foram às ruas pedir alguma coisa como o fim do PT, impeachment e/ou prisão da presidente, 'fora' Lula (não sei de onde), fim das esquerdas, volta de um regime militar e outras atrocidades contra a língua portuguesa - a mais fina Flor do Lácio - e contra a nossa história, que não ouso reproduzir.
Para meus filhos - um, que está no início da adolescência e outro, no final da infância - é tudo muito curioso, pois no ambiente em que vivem na escola ou entre amigos não há dissidência: é um blá-blá-blá contra a Dilma e PT e políticos e tudo que está aí.
Um deles frequenta uma escola particular na Zona Norte de São Paulo. O outro, está em uma escola técnica pública do ensino médio. Ambas boas escolas, mas que refletem uma predominância de opiniões apolíticas que circulam na mídia e nas redes sociais, com críticas rasas ao que está acontecendo.
Por isso, eles ficam fascinados quando eu me recuso a xingar os manifestantes ou governos com os quais não concordo, preferindo analisar a situação do ponto de vista histórico, social e político.
O que intrigou meus filhos foi o fato de muitos nas ruas pedirem intervenção militar. No dia a dia deles não há como entender o que é isso a não ser quando eu ou parte da família deles explicam o que é uma intervenção militar e os resultados da última que o país sofreu em 1964.
No entanto, eles têm consciência que estão vivendo dias históricos, mas acharam curioso pedir intervenção militar em país que vive a mais plena democracia.
Mas, como disse, a 'grande manifestação' ficou de bom tamanho, ou seja, tamanho suficiente para ver a alienação histórica e social de uma minoria histriônica. Não vou brigar com números, pois eles já não são importantes e nem quero aqui fazer análises conclusivas. Quero apenas publicar impressões pessoais.
Portanto, o que, na verdade, importa é o recado de grupos que não conseguem mais mobilizar além de um teto dezenas de milhares de pessoas pois seu radicalismo vazio de propostas não atrai a maioria.
Se de um lado falta à presidenta Dilma a estatura de líder político capaz de representar os sonhos de uma nação e pôr um ponto final nesta brincadeira, do outro - o dos organizadores da manifestação - também não há líderes que explicam qual é a visão deles para o futuro da nação.
O fim da corrupção perpetrada por alguns, tão repudiada por eles, é um sonho, mas eles não explicam como vão fazer isso.
Os animadores nos carros de som neste final de semana ficaram apenas repetindo o que disse o ex-candidato do PSDB, Aécio Neves, em plena campanha eleitoral no ano passado, que bastava tirar o PT do poder para tudo melhorar.
Uma indignação mais do que seletiva.
Esta 'solução' não convence uma maioria que, apesar de estar desiludida com o governo, tem experiência de 30 anos de democracia e que, a cada dois anos, se acostumou participar de um debate - mesmo que mínimo - sobre propostas para o futuro da cidade e do país.
Pessoas que já elegeram um governante e depois outro que estava na oposição e sabem que terão a chance de eleger mais outro ano que vem e daqui a quatro anos.
A mensagem dos que não foram à rua foi mais forte do que o recado do raquítico grupo de radicais: sem propostas para o país, não há apoio.
Talvez uma luz sobre o que está acontecendo vem de uma pesquisa recente mostrando que 71% acreditam que a oposição quer o impeachment puramente por interesses próprios.
Mas, para muitos, a troca da mandatária não seria seis por meia dúzia, seria sim trocar o certo pelo incerto e aprofundar de vez a crise política que já está esgotando a paciência da população que começa também a enfrentar uma crise econômica.
E todos sabem: sem o fim da crise política, a crise econômica se alonga e se aprofunda, pois sabem que só um mínimo de governabilidade dará a chance para o país sair desta.
É claro que houve uma mudança de posição entre os líderes empresariais e da mídia contra esta crescente desestabilização econômica para criar este clima, mas é apenas o outro lado da mesma moeda.
Os 'Aloprados' On-line, o MBL, os #vemprarua e outros grupelhos não entendem o recado dos que ficaram em casa: lhes sobra arrogância e lhes falta densidade política para compreender que não têm credibilidade política para mover massas além do seu próprio deslumbre pela notoriedade que conquistaram nas redes como Facebook e WhatsApp.
Nas ruas e na política real, o jogo é outro. No asfalto, o povo não é bobo.
E por isso mesmo que nada está ganho para o governo.
O movimento preocupante a favor do impeachment, aquele que goza de apoio dentro do próprio estamento politico e jurídico, ainda está vivo, apesar de não estar legitimado pelas ruas.
Há muito que fazer no campo político, mas, cada vez mais, os políticos percebem que precisam buscar o mínimo de governabilidade para que as conquistas sociais e políticas das últimas décadas - inclusive as deles de serem eleitos - não sejam jogadas fora e, com elas, qualquer possibilidade de continuar na vida política sem ameaças e sobressaltos.
O fascismo está, de fato, batendo às portas. Este é o outro recado destas manifestações: os radicais se mobilizam pelo silêncio dos outros.
Finalmente, acredito que a única conclusão contudente que podemos tirar do show de horrores que vimos neste final de semana é que direita está aí, forte, se alimentando da decepção das pessoas.
A semana começa, etretanto, com uma luz no final de túnel que há ainda um pouco de sanidade entre as lideranças políticas e empresariais de deste país que já perceberam que o povo não cai facilmente em ladainhas.
Trocando em miúdos, sem ter a legitimidade de uma eleição, o povo não aceitará troca na liderança do país. O brasileiro ainda tem muito a perder.
Pelo que li, talvez umas 200 mil pessoas no país inteiro foram às ruas pedir alguma coisa como o fim do PT, impeachment e/ou prisão da presidente, 'fora' Lula (não sei de onde), fim das esquerdas, volta de um regime militar e outras atrocidades contra a língua portuguesa - a mais fina Flor do Lácio - e contra a nossa história, que não ouso reproduzir.
Para meus filhos - um, que está no início da adolescência e outro, no final da infância - é tudo muito curioso, pois no ambiente em que vivem na escola ou entre amigos não há dissidência: é um blá-blá-blá contra a Dilma e PT e políticos e tudo que está aí.
Um deles frequenta uma escola particular na Zona Norte de São Paulo. O outro, está em uma escola técnica pública do ensino médio. Ambas boas escolas, mas que refletem uma predominância de opiniões apolíticas que circulam na mídia e nas redes sociais, com críticas rasas ao que está acontecendo.
Por isso, eles ficam fascinados quando eu me recuso a xingar os manifestantes ou governos com os quais não concordo, preferindo analisar a situação do ponto de vista histórico, social e político.
O que intrigou meus filhos foi o fato de muitos nas ruas pedirem intervenção militar. No dia a dia deles não há como entender o que é isso a não ser quando eu ou parte da família deles explicam o que é uma intervenção militar e os resultados da última que o país sofreu em 1964.
No entanto, eles têm consciência que estão vivendo dias históricos, mas acharam curioso pedir intervenção militar em país que vive a mais plena democracia.
Mas, como disse, a 'grande manifestação' ficou de bom tamanho, ou seja, tamanho suficiente para ver a alienação histórica e social de uma minoria histriônica. Não vou brigar com números, pois eles já não são importantes e nem quero aqui fazer análises conclusivas. Quero apenas publicar impressões pessoais.
Portanto, o que, na verdade, importa é o recado de grupos que não conseguem mais mobilizar além de um teto dezenas de milhares de pessoas pois seu radicalismo vazio de propostas não atrai a maioria.
Se de um lado falta à presidenta Dilma a estatura de líder político capaz de representar os sonhos de uma nação e pôr um ponto final nesta brincadeira, do outro - o dos organizadores da manifestação - também não há líderes que explicam qual é a visão deles para o futuro da nação.
O fim da corrupção perpetrada por alguns, tão repudiada por eles, é um sonho, mas eles não explicam como vão fazer isso.
Os animadores nos carros de som neste final de semana ficaram apenas repetindo o que disse o ex-candidato do PSDB, Aécio Neves, em plena campanha eleitoral no ano passado, que bastava tirar o PT do poder para tudo melhorar.
Uma indignação mais do que seletiva.
Esta 'solução' não convence uma maioria que, apesar de estar desiludida com o governo, tem experiência de 30 anos de democracia e que, a cada dois anos, se acostumou participar de um debate - mesmo que mínimo - sobre propostas para o futuro da cidade e do país.
Pessoas que já elegeram um governante e depois outro que estava na oposição e sabem que terão a chance de eleger mais outro ano que vem e daqui a quatro anos.
A mensagem dos que não foram à rua foi mais forte do que o recado do raquítico grupo de radicais: sem propostas para o país, não há apoio.
Talvez uma luz sobre o que está acontecendo vem de uma pesquisa recente mostrando que 71% acreditam que a oposição quer o impeachment puramente por interesses próprios.
Mas, para muitos, a troca da mandatária não seria seis por meia dúzia, seria sim trocar o certo pelo incerto e aprofundar de vez a crise política que já está esgotando a paciência da população que começa também a enfrentar uma crise econômica.
E todos sabem: sem o fim da crise política, a crise econômica se alonga e se aprofunda, pois sabem que só um mínimo de governabilidade dará a chance para o país sair desta.
É claro que houve uma mudança de posição entre os líderes empresariais e da mídia contra esta crescente desestabilização econômica para criar este clima, mas é apenas o outro lado da mesma moeda.
Os 'Aloprados' On-line, o MBL, os #vemprarua e outros grupelhos não entendem o recado dos que ficaram em casa: lhes sobra arrogância e lhes falta densidade política para compreender que não têm credibilidade política para mover massas além do seu próprio deslumbre pela notoriedade que conquistaram nas redes como Facebook e WhatsApp.
Nas ruas e na política real, o jogo é outro. No asfalto, o povo não é bobo.
E por isso mesmo que nada está ganho para o governo.
O movimento preocupante a favor do impeachment, aquele que goza de apoio dentro do próprio estamento politico e jurídico, ainda está vivo, apesar de não estar legitimado pelas ruas.
Há muito que fazer no campo político, mas, cada vez mais, os políticos percebem que precisam buscar o mínimo de governabilidade para que as conquistas sociais e políticas das últimas décadas - inclusive as deles de serem eleitos - não sejam jogadas fora e, com elas, qualquer possibilidade de continuar na vida política sem ameaças e sobressaltos.
O fascismo está, de fato, batendo às portas. Este é o outro recado destas manifestações: os radicais se mobilizam pelo silêncio dos outros.
Finalmente, acredito que a única conclusão contudente que podemos tirar do show de horrores que vimos neste final de semana é que direita está aí, forte, se alimentando da decepção das pessoas.
A semana começa, etretanto, com uma luz no final de túnel que há ainda um pouco de sanidade entre as lideranças políticas e empresariais de deste país que já perceberam que o povo não cai facilmente em ladainhas.
Trocando em miúdos, sem ter a legitimidade de uma eleição, o povo não aceitará troca na liderança do país. O brasileiro ainda tem muito a perder.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Datena: SP vira caso de polícia - primeiras impresõses
Datena será candidato a prefeito de São Paulo pelo PP!
E o Maluf?
Bem feito São Paulo, agora tem seu candidato perfeito: um bárbaro para realizar desejos incofessáveis de uma elite bárbara.
Tomara que ele ganhe para São Paulo saber o que ter um idiota representando a cidade.
Coerência 1: Datena fala tão mal de política e tão bem de polícia, que resolveu resolver o problema sendo político.
Coerência 2: Sem bandido, Datena não existe, vai ser mais um para justificar sua existência.
Incoerência 1: Se não me engano tinha dito que se entrasse para a política pediu para interná-lo.
Incoerência 2: Um cara autoritário que não sabe debater vai saber lidar com o debate democrático?
E a esquerda democrática, vai ficar parada? Vai fazer o que? Talvez uma polarização genuína seja bom para todos.
Acho que com o peso dele, não aquenta uma campanha inteira...
E o Maluf?
Bem feito São Paulo, agora tem seu candidato perfeito: um bárbaro para realizar desejos incofessáveis de uma elite bárbara.
Tomara que ele ganhe para São Paulo saber o que ter um idiota representando a cidade.
Coerência 1: Datena fala tão mal de política e tão bem de polícia, que resolveu resolver o problema sendo político.
Coerência 2: Sem bandido, Datena não existe, vai ser mais um para justificar sua existência.
Incoerência 1: Se não me engano tinha dito que se entrasse para a política pediu para interná-lo.
Incoerência 2: Um cara autoritário que não sabe debater vai saber lidar com o debate democrático?
E a esquerda democrática, vai ficar parada? Vai fazer o que? Talvez uma polarização genuína seja bom para todos.
Acho que com o peso dele, não aquenta uma campanha inteira...
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Uma cunha entre mim e a democracia
O Brasil virou uma Venezuela. Talvez faça tempo que tenha virado, mas hoje resolvi escrever sobre isso, pois não se sabe mais o que acontece no país.
Antes, era a campanha cega contra o presidente Hugo Chávez que fazia com que chegassem notícias e manchetes deformadas para nós. As imensas passeatas, as eleições e plebicitos, os programas sociais, o boicote ao país da indústria, tudo isso era deformado para termos uma visão de um país em caos. Eternamente em caos por causa de uma opção pela autodeterminação de uma nação soberana.
Não que discutir os rumos políticos e sociais da Venezuela seja prioridade, mas o que acontece lá é de suma importância para os movimentos do Brasil na política internacional e economia mundial para consolidar-se como potência mundial.
Antes, era a campanha cega contra o presidente Hugo Chávez que fazia com que chegassem notícias e manchetes deformadas para nós. As imensas passeatas, as eleições e plebicitos, os programas sociais, o boicote ao país da indústria, tudo isso era deformado para termos uma visão de um país em caos. Eternamente em caos por causa de uma opção pela autodeterminação de uma nação soberana.
Não que discutir os rumos políticos e sociais da Venezuela seja prioridade, mas o que acontece lá é de suma importância para os movimentos do Brasil na política internacional e economia mundial para consolidar-se como potência mundial.
Mas, hoje, também não reconhecemos o Brasil.
Se anda na rua, e não sabemos que país é este.
Tudo está mediado de forma espúria.
Esta semana, fomos tomados pelas pedaladas do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que encontrou algo do regimento da casa para respaldar o atraso e garantir a aprovação de uma das medidas mais simbólicas do retrocesso humanizador que estamos sofrendo: a redução da maioridade penal.
Pela fala dos deputados, não se anda na rua sem ser assaltado por um menor. Não importa se menos de 1% dos crimes contra a vida são cometidos por estes cidadãos, reconhecidos pela nossa constituição como tendo priodidade na proteção social.
Mas, como disse, isso é o forte simbolismo de algo mais profundo (não que não seja importante em si, mas a discussão é mais ampla).
Dormimos uma noite pensando uma coisa, e, de reprente, mudam a regra e perecebemos que a 'realidade' era outra.
O que Cunha fez foi casar os acontecimentos políticos com sua visão de mundo. Não se aceita que outros que não tenham a mesma visão conseguiram uma apoio suficiente para barrar o seu ponto de vista.
Do mesmo jeito é o que lemos nos jornais.
Viramos o país do desespero, da corrupção, dos desmandos. Não temos mais chão, não temos mais horizonte, não temos mais visão.
As manchetes se repetem dia sim e dia não, e são desmentidas dia não e dia sim, num esbofetar constante de nossa cara até nos fazer acreditar. Como um filme de holywood no qual o protagonista espalma o rosto de uma pessoa histérica para que ela saia da transe.
Mas, há quase 20 anos atrás, eu sabia que iria dar nisso ao pisar em uma redação de jornal pela primeira vez.
Vi que as redações dos nossos jornais são comandadas por jornalistas classistas que treinam profissionais saídos de escolas homogenizadas pela exigência do dilploma e... pasmem, são da mesma classe social. Oriundos das melhores faculdades, mas de uma classe que resolveu se esconder atrás de muros e portões fechados.
Mas destas torres de marfim, esta visão de país se alastra para outras classes, sem dar contraponto à realidade.
Do outro lado, as redes sociais e os blogs parecem começar a fazer um contraponto, mas não.
Mais de 70% do conteúdo das redes sociais replicam o que noticiam e opinam os jornais que não vêem o Brasil, do outro lado blogueiros assumem sua posições ideológicas e também publicam apenas o Brasil que acreditam ver.
No final, ficamos só, você e eu, a decidir o que é realidade.
Sair nas ruas, ver o que está acontecendo é o melhor remédio.
Como sempre digo, a realidade está em algum lugar entre o desespero da mídia empresarial e a trincheira do 'bem' cavada pelos blogueiros antagônicos.
E a verdade é que estamos desconstruindo um país.
Não estamos desfazendo o país de 12 anos de PT no poder, mas o país de lutas homéricas pelos direitos sociais de mais de meio século.
Enquanto isso, a população se vira. A maioria rechaça o ódio e sabe, mais do que ninguém, viver sem nossas frágeis instituições.
Mas a democracia requer debate e, sobretudo, respeito às minorias para se fortalecer.
De todos os discursos daquela noite assombrosa, imposta pela vontade imperial do presidente da Câmara, o mais assustador foi o discurso de um deputado que xingou os que não concordaram com a redução da maioriadade penal de não serem brasileiros e, na sequência, disse que deveria existir uma unanimidade a favor da redução da maioridade penal.
Entre mim e ele existe um abismo. Entre mim e ele existe a democracia.
Eu não vou ser parte desta unanimidade que não vê país e, sobretudo, que não vê futuro.
Se anda na rua, e não sabemos que país é este.
Tudo está mediado de forma espúria.
Esta semana, fomos tomados pelas pedaladas do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que encontrou algo do regimento da casa para respaldar o atraso e garantir a aprovação de uma das medidas mais simbólicas do retrocesso humanizador que estamos sofrendo: a redução da maioridade penal.
Pela fala dos deputados, não se anda na rua sem ser assaltado por um menor. Não importa se menos de 1% dos crimes contra a vida são cometidos por estes cidadãos, reconhecidos pela nossa constituição como tendo priodidade na proteção social.
Mas, como disse, isso é o forte simbolismo de algo mais profundo (não que não seja importante em si, mas a discussão é mais ampla).
Dormimos uma noite pensando uma coisa, e, de reprente, mudam a regra e perecebemos que a 'realidade' era outra.
O que Cunha fez foi casar os acontecimentos políticos com sua visão de mundo. Não se aceita que outros que não tenham a mesma visão conseguiram uma apoio suficiente para barrar o seu ponto de vista.
Do mesmo jeito é o que lemos nos jornais.
Viramos o país do desespero, da corrupção, dos desmandos. Não temos mais chão, não temos mais horizonte, não temos mais visão.
As manchetes se repetem dia sim e dia não, e são desmentidas dia não e dia sim, num esbofetar constante de nossa cara até nos fazer acreditar. Como um filme de holywood no qual o protagonista espalma o rosto de uma pessoa histérica para que ela saia da transe.
Mas, há quase 20 anos atrás, eu sabia que iria dar nisso ao pisar em uma redação de jornal pela primeira vez.
Vi que as redações dos nossos jornais são comandadas por jornalistas classistas que treinam profissionais saídos de escolas homogenizadas pela exigência do dilploma e... pasmem, são da mesma classe social. Oriundos das melhores faculdades, mas de uma classe que resolveu se esconder atrás de muros e portões fechados.
Mas destas torres de marfim, esta visão de país se alastra para outras classes, sem dar contraponto à realidade.
Do outro lado, as redes sociais e os blogs parecem começar a fazer um contraponto, mas não.
Mais de 70% do conteúdo das redes sociais replicam o que noticiam e opinam os jornais que não vêem o Brasil, do outro lado blogueiros assumem sua posições ideológicas e também publicam apenas o Brasil que acreditam ver.
No final, ficamos só, você e eu, a decidir o que é realidade.
Sair nas ruas, ver o que está acontecendo é o melhor remédio.
Como sempre digo, a realidade está em algum lugar entre o desespero da mídia empresarial e a trincheira do 'bem' cavada pelos blogueiros antagônicos.
E a verdade é que estamos desconstruindo um país.
Não estamos desfazendo o país de 12 anos de PT no poder, mas o país de lutas homéricas pelos direitos sociais de mais de meio século.
Enquanto isso, a população se vira. A maioria rechaça o ódio e sabe, mais do que ninguém, viver sem nossas frágeis instituições.
Mas a democracia requer debate e, sobretudo, respeito às minorias para se fortalecer.
De todos os discursos daquela noite assombrosa, imposta pela vontade imperial do presidente da Câmara, o mais assustador foi o discurso de um deputado que xingou os que não concordaram com a redução da maioriadade penal de não serem brasileiros e, na sequência, disse que deveria existir uma unanimidade a favor da redução da maioridade penal.
Entre mim e ele existe um abismo. Entre mim e ele existe a democracia.
Eu não vou ser parte desta unanimidade que não vê país e, sobretudo, que não vê futuro.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Vai chegar o dia
Shakespeare, ou melhor, seus personagens, têm uma profunda compreensão do drama humano. Eles podiam olhar no longo prazo, agir no curto e revisitar a história para entender o presente.
Um dos meus personagens shakespirianos favoritos - aí não sei se me apaixono pela beleza do texto ou pela lucidez do vilão - é Ricardo III.
Bem no começo da peça, ele mistura a situação política com seus anseios pessoais e, claro, com sua desmesurada ambição. O seu lugar, afirma ele, não é ser um coadjudante da história, mas sim seu principal protagonista.
Mas ele via, e fez acontecer, que outros tempos virão, pois percebida o tempo da história:
"Now is the winter of our discontent
made glorious summer by this sun of York.
And all the clouds that lour'd upon our house
In the deep bosom of the ocean buried.
Now are our brows bound with victorious wreaths;
Our bruised arms hung up for monuments;
Our stern alarums changed to merry meetings,
Our dreadful marches to delightful measures.
Grim-visaged war hath smooth'd his wrinkled front;
And now, instead of mounting barded steeds
To fright the souls of fearful adversaries,
made glorious summer by this sun of York.
And all the clouds that lour'd upon our house
In the deep bosom of the ocean buried.
Now are our brows bound with victorious wreaths;
Our bruised arms hung up for monuments;
Our stern alarums changed to merry meetings,
Our dreadful marches to delightful measures.
Grim-visaged war hath smooth'd his wrinkled front;
And now, instead of mounting barded steeds
To fright the souls of fearful adversaries,
He capers nimbly in a lady's chamber
To the lascivious pleasing of a lute."
To the lascivious pleasing of a lute."
(O inverno do nosso descontentamento foi convertidoagora em glorioso verão por este sol de York, e todas as nuvens que ameaçavam a nossa casa estão enterradas no mais interno fundo do oceano. Agora as nossas frontes estão coroadas depalmas gloriosas. As nossas armas rompidas suspensas como troféus, os nossos feros alarmes mudaram-se em encontros aprazíveis, as nossas hórridas marchas em compassos deleitosos, aguerra de rosto sombrio amaciou a sua fronte enrugada. E agora, em vez de montar cavalos armados para amedrontar as almas dos temíveis adversários, pula como um potro nos aposentos de uma dama ao som lascivo e ameno do alaúde.)
Esta longa fala serve apenas como introdução para explicar que ele trama algo e que não está satisfeito com o que acontece. Ao mesmo tempo, critica a sensação de tranquilidade do reino, avisando que nem tudo está sob controle, como sonham os poderosos.
No Brasil de hoje, vivemos a mais absoluta incapacidade de ver o futuro. Olhamos para o presente como se fosse o todo, como se o passado não tivesse mais importância. Como se não tivéssemos futuro.
Neste presente, toda a nação foi tomada por uma sensação de desgosto e de derrota. Nada funciona ou funcionou como deveria. Nada era o que pensávamos. O que nos dava destaque, agora está sendo vilmente atacado. O que conquistamos, hoje está friamente escondido. O que nos dava esperança, hoje está enterrado debaixo de acusações mil e de um vai e vem policialesco na república judiciária que deixamos criar.
Como as armas dos dias de batalha citadas na peça, nosso glorioso passado recente está enterrado a mil léguas debaixo de um oceano falso de lama.
Mas isto, como bem percebeu o Duque de Gloucester (o futuro Ricardo III), não levou em conta o descontentamento de alguns.
O Brasil não é de brincadeira, não é terra de ninguém e nem o pior lugar do mundo. Conquistamos muito nestas últimas quatro décadas, desde o fim da ditadura. Os que querem voltar ao passado, serão derrotados, pois não haverá trégua para aqueles que quiserem desafiar as conquistas.
Vejo em torno de mim uma vontade de fazer as coisas certas. Empreendedores sociais que buscam saída, movimentos populares que buscam aprofundar conquistas, empresários com a gana de investir e inovar, todos agindo, incansávelmente, mesmo com o orgulho ferido por um mundo faz de conta do achaque e derrotismo.
Este mundo que brada, hipocritamente, sempre contra a corrupção alheia como desculpa para o retrocesso.
O dia virá, sim, quando estes tempos sombríos passarão, e os que hoje gozam deste poder enganador, cavalgando manchetes alucinadas sobre desmandos da república, vão perceber que sua calavagada era apenas em direção ao abismo.
Vamos olhar para trás e ver que chegamos perto, muito perto, de entregar todas as conquistas, mas, vamos nos dar conta, que isso nunca poderia acontecer, porque existem muitos que não são nem coniventes e nem estão contentes com o que acontece.
Vamos perceber que sempre avançamos nos direitos, na economia, no empreendedorismo e na sociedade, nos afirmando como país soberano com o qual sonharam alguns nestes mais de 100 anos de república.
E nesse dia, eu, entre milhões de brasileiros, soltarei um profundo suspiro de alívio pelos tempos que sabíamos que iriam passar.
O dia virá quando poderemos, enfim, gozar de tudo que consquistamos diante de um mundo que não conseque encontrar soluções e que quer nos arrastar para o abismo.
Hoje, somos o vilões por acreditar no que foi conquistado, por entender o passado e por ousar sonhar com um futuro. Amanhã, seremos os protagonistas que, mesmo na adversidade, continuamos a acreditar e a agir.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
A caravana a favor da democracia - Vamos conversar Aécio?
Aécio Neves, candidato presidencial derrotado do PSDB, e outros senadores de oposição pegaram um avião da FAB para fazer uma visita a oposicionistas na Venezuela.
Não cabe aqui comentar o fracasso, mas, na grave situação política do Brasil, não dá para entender o que busca o ex-candidato.
Em momentos de crise, quando o desemprego ameaça crescer, quando o governo coloca em prática restrições fiscais que ameaçam tirar serviços sociais essencias ou reduzir o escopo da rede de bem estar social, quando o mercado se encontra em alvoroço com denúncias graves de corrupção em grupos gigantes que carregam parte do PIB nacional e quando a sociedade brasileira se encontra em um nível de beligerância social e política pouca vezes vista desde a fundação da república, Aécio prefere os holofotes fáceis da imprensa.
Aécio e os políticos oposicionistas apostam na benevolência da mídia para fazer o que bem entendem. Ou seja, vociferar e destruir o governo, para ameaçar, bater pé e fazer birra até com projetos baseados em teses com as quais históricamente concordam.
Neste momento de crise, o que os brasileiros precisam é de ver uma luz no final do túnel, mas, da boca de Aécio Neves, nada de propostas.
Se temos um governo fraco, temos uma oposição pueril.
Fica aqui a dica para o senador mineiro, presidente do principal partido de oposição: suma dos holofotes por alguns meses e faça uma caravana pelo Brasil mais profundo. Vá as mais obscuros rincões do país. Ouça a população para entender os seus anseios e discuta conosco o que é preciso para construir uma nova visão de país.
E, sobretudo, ignore os bajuladores de plantão na região sul-sudeste e, principalmente na mídia.
Depois de se reunir, conhecer e ouvir a população, apresente, para um debate amplo, propostas que acendam uma luz no final do túnel.
A democracia necessita de discussão de teses para o país e a oposição falha (e falhou nos últimos pleitos) por não ter propostas, por não ter visão de país, por não saber como consolidar os avanços sociais recentes sem destruir a visão liberal antagônica à política do governo Dilma.
Em tempos de globalização e de redes sociais, a democracia precisa e pode ser aprofundada, mas Aécio fala em democracia apenas em teoria e prefere a ditadura do judiciário que estamos arriscando a promover. Reforma política? Aécio não sabe e nem tem opinião.
Aécio, principal líder da oposição, se agarrou à nave raivosa de gupelhos anti-democráticos e com eles levou seu partido para o abismo da radicalização e do atavismo político.
Aécio, o tempo todo, joga com a revolta contra a corrupção, usa o STF e o TCU como joguetes para seus delírios de poder, apóia CPIs no congresso que querem apenas jogar para a platéia e, dizem as más línguas, prefere tomar sol no Leblon ao invés de conversar com seus constituintes em Minas Gerais.
Não sabemos o que pensa o senador, alçado a principal líder da oposição pela imprensa com 35% das intenções de voto.
Aécio, vamos conversar? Vamos buscar uma luz no final do túnel?
Ou ele está esperando a contratação de marqueteiros para 2018 para lhe dizer o que ele deve pensar sobre o futuro do país.
A vida é feita de oportunidades - perdidas na sua maior parte ou abraçadas em poucas e singelas ocasiões. Aécio tem uma oportunidade incontesta à sua frente, mas prefere ignorá-la.
Pior para o Brasil e para a democracia mundial.
Não cabe aqui comentar o fracasso, mas, na grave situação política do Brasil, não dá para entender o que busca o ex-candidato.
Em momentos de crise, quando o desemprego ameaça crescer, quando o governo coloca em prática restrições fiscais que ameaçam tirar serviços sociais essencias ou reduzir o escopo da rede de bem estar social, quando o mercado se encontra em alvoroço com denúncias graves de corrupção em grupos gigantes que carregam parte do PIB nacional e quando a sociedade brasileira se encontra em um nível de beligerância social e política pouca vezes vista desde a fundação da república, Aécio prefere os holofotes fáceis da imprensa.
Aécio e os políticos oposicionistas apostam na benevolência da mídia para fazer o que bem entendem. Ou seja, vociferar e destruir o governo, para ameaçar, bater pé e fazer birra até com projetos baseados em teses com as quais históricamente concordam.
Neste momento de crise, o que os brasileiros precisam é de ver uma luz no final do túnel, mas, da boca de Aécio Neves, nada de propostas.
Se temos um governo fraco, temos uma oposição pueril.
Fica aqui a dica para o senador mineiro, presidente do principal partido de oposição: suma dos holofotes por alguns meses e faça uma caravana pelo Brasil mais profundo. Vá as mais obscuros rincões do país. Ouça a população para entender os seus anseios e discuta conosco o que é preciso para construir uma nova visão de país.
E, sobretudo, ignore os bajuladores de plantão na região sul-sudeste e, principalmente na mídia.
Depois de se reunir, conhecer e ouvir a população, apresente, para um debate amplo, propostas que acendam uma luz no final do túnel.
A democracia necessita de discussão de teses para o país e a oposição falha (e falhou nos últimos pleitos) por não ter propostas, por não ter visão de país, por não saber como consolidar os avanços sociais recentes sem destruir a visão liberal antagônica à política do governo Dilma.
Em tempos de globalização e de redes sociais, a democracia precisa e pode ser aprofundada, mas Aécio fala em democracia apenas em teoria e prefere a ditadura do judiciário que estamos arriscando a promover. Reforma política? Aécio não sabe e nem tem opinião.
Aécio, principal líder da oposição, se agarrou à nave raivosa de gupelhos anti-democráticos e com eles levou seu partido para o abismo da radicalização e do atavismo político.
Aécio, o tempo todo, joga com a revolta contra a corrupção, usa o STF e o TCU como joguetes para seus delírios de poder, apóia CPIs no congresso que querem apenas jogar para a platéia e, dizem as más línguas, prefere tomar sol no Leblon ao invés de conversar com seus constituintes em Minas Gerais.
Não sabemos o que pensa o senador, alçado a principal líder da oposição pela imprensa com 35% das intenções de voto.
Aécio, vamos conversar? Vamos buscar uma luz no final do túnel?
Ou ele está esperando a contratação de marqueteiros para 2018 para lhe dizer o que ele deve pensar sobre o futuro do país.
A vida é feita de oportunidades - perdidas na sua maior parte ou abraçadas em poucas e singelas ocasiões. Aécio tem uma oportunidade incontesta à sua frente, mas prefere ignorá-la.
Pior para o Brasil e para a democracia mundial.
sábado, 17 de novembro de 2012
Abraçadas ao mensalão, as oposições recusam inovar
Ao escolher o moralismo, na forma do 'mensalão', para atacar o governo, as oposições empurram com a barriga uma necessária revisão programática. Além disso, ao encurralar o PT na trincheira, inviabilizam a reforma política no curto prazo.
Ficou bem claro que nestas eleições municipais, principalmente nos grandes centros urbanos com mais de 500 mil habitantes, o PSDB e o DEM escolheram como estratégia eleitoral o debate dos valores, certos de que a população estaria revoltada com o PT dos mensaleiros sendo julgados no STF em uma ação milimetricamente cronometrada para coincidir com os dois turnos do pleito municipal.
Em nenhum lugar isso foi mais óbvio do que em São Paulo.
Em um atropelo dos diretórios distritais e das diferentes tendências e lideranças paulistas - riquíssima pois, afinal, os tucanos nasceram em SP - o candidato presidencial derrotado em 2006 e 2010, José Serra, foi escolhido.
Isto não só sinalizou a continuidade da administração mal-avaliada de Kassab, mas também abandonou qualquer esperança de renovação do seu partido. Renovação, não só de lideranças, mas também programática.
Serra simboliza, como escrevi várias vezes, o velho. Ele personifica a política do Estado Mínimo, das parcerias duvidosas com as ONSs, do apoio da velha mídia e da reprodução da aliança centro-direita com uma constelação de partidos mais ou menos conservadores.
No campo de propostas para a cidade, não houve nada de novo. A visão de mundo da equipe montada por Serra - e a rejeição de uma outra possível equipe com quadros mais progressistas - não poderia oferecer ao paulistano qualquer coisa de novo. Kassab, é claro, apoiou seu mentor Serra, mas a busca foi pelo PP do Maluf, o DEM, o PPS (que até tentou vôo próprio) e outros pequenos partidos que restaram depois da colheita eficiente feita por Lula,
Mas, voltando à esfera nacional, ao eleger o mensalão como prioridade, a oposição mostrou aos eleitores que não tinha programa alternativo ao que estava aí. Entre escolher um candidtato que diz que faria o que está sendo feito com mais moralidade, e deixar quem está no poder continuar uma obra bem avaliada, a população vem escolhendo a segunda opção, mesmo porque os eleitores não veem os tucanos como um partido limpo de corrupção e de desmandos.
Em resposta, ao invés de debater programaticamente suas posições, o governo e o PT não deixam as pessoas esquecerem, e ensinam aos mais jovens, que, no governo, o PSDB e o DEM, privatizaram a preço de banana, geraram desemprego, submeteram o país a políticas comerciais dos EUA, enxugaram o Estado onde não devia e quebraram o país várias vezes.
Falar que sem a privatização não haveria centenas de milhões de celulares em circulação é mesma coisa que falar para uma criança que ela pode brincar na hora do recreio. O efeito é nulo.
A população está cobrando outra coisa. A conquista do direito à telecomunicação já está assimilado - e foi subsituído pelo debate sobre o acesso à internet de qualidade - e a nova geração de eleitores não está interessada no que foi o debate - ideológico e prático - sobre as privatizações, e, muito menos, no seu simulacro mais de uma década depois.
A população quer garantias da continuidade do que foi conquistado nos últimos anos e é isso que a oposição não oferece. A população quer ver o que os líderes pensam sobre o futuro do país, e é isso que os tucanos não querem mostrar.
Não que o PT e os partidos de situação sejam melhores, mas, repetindo, entre um governo bem avaliado e outro que oferece retórica, a escolha é óbvia.
O mais triste é que com as iminentes prisões do réus da AP 470, a oposição presta mais atenção à retórica comemorativa inconsequente da imprensa - com direito a especulação se Dirceu pode ou não ser assassinado na prisão - do que ao recado que saiu das urnas.
Álvaro Dias, um dos baluartes do moralismo tucano, horas após o pleito deste ano, avaliou que há uma crise de representatividade dos partidos, todos os partidos. Mas, seu ato subsequente foi abandonar o PSDB, mostrando que os tucanos têm pouca noção do momento pelo qual a nação passa.
Queremos sim uma oposição responsável que ofereça alternativas de visões de país e de futuro. Necessitamos de uma oposição de esquerda e de direita ao centrismo pragmático do PT que há 10 anos está no poder.
Os desafios são imensos e as respostas não virão de posições antigas e mofadas de um neoliberalismo falido.
A melhor notícia da política que poderia ser veiculada hoje seria a decisão da cúpula tucana de organizar conferências regionais um congresso nacional de vários dias para avaliar as eleições e refundar o partido para enfrentar o próximo pleito daqui dois anos. Isto forçaria o PT a parar para pensar um pouco e baixar a guarda levantada com as condenações da AP 470, conforme a nota emitida esta semana.
Mas isto seria visto com lamber feridas. Além disso, os eternos donos do poder tucano se sentiriam ameaçados, pois suas caras posições ideológicas poderiam finalmente serem jogadas no lixo. E, afinal, nem todas novas lideranças tucanas caberiam no Fasano nos jardins paulistanos.
Ficou bem claro que nestas eleições municipais, principalmente nos grandes centros urbanos com mais de 500 mil habitantes, o PSDB e o DEM escolheram como estratégia eleitoral o debate dos valores, certos de que a população estaria revoltada com o PT dos mensaleiros sendo julgados no STF em uma ação milimetricamente cronometrada para coincidir com os dois turnos do pleito municipal.
Em nenhum lugar isso foi mais óbvio do que em São Paulo.
Em um atropelo dos diretórios distritais e das diferentes tendências e lideranças paulistas - riquíssima pois, afinal, os tucanos nasceram em SP - o candidato presidencial derrotado em 2006 e 2010, José Serra, foi escolhido.
Isto não só sinalizou a continuidade da administração mal-avaliada de Kassab, mas também abandonou qualquer esperança de renovação do seu partido. Renovação, não só de lideranças, mas também programática.
Serra simboliza, como escrevi várias vezes, o velho. Ele personifica a política do Estado Mínimo, das parcerias duvidosas com as ONSs, do apoio da velha mídia e da reprodução da aliança centro-direita com uma constelação de partidos mais ou menos conservadores.
No campo de propostas para a cidade, não houve nada de novo. A visão de mundo da equipe montada por Serra - e a rejeição de uma outra possível equipe com quadros mais progressistas - não poderia oferecer ao paulistano qualquer coisa de novo. Kassab, é claro, apoiou seu mentor Serra, mas a busca foi pelo PP do Maluf, o DEM, o PPS (que até tentou vôo próprio) e outros pequenos partidos que restaram depois da colheita eficiente feita por Lula,
Mas, voltando à esfera nacional, ao eleger o mensalão como prioridade, a oposição mostrou aos eleitores que não tinha programa alternativo ao que estava aí. Entre escolher um candidtato que diz que faria o que está sendo feito com mais moralidade, e deixar quem está no poder continuar uma obra bem avaliada, a população vem escolhendo a segunda opção, mesmo porque os eleitores não veem os tucanos como um partido limpo de corrupção e de desmandos.
Em resposta, ao invés de debater programaticamente suas posições, o governo e o PT não deixam as pessoas esquecerem, e ensinam aos mais jovens, que, no governo, o PSDB e o DEM, privatizaram a preço de banana, geraram desemprego, submeteram o país a políticas comerciais dos EUA, enxugaram o Estado onde não devia e quebraram o país várias vezes.
Falar que sem a privatização não haveria centenas de milhões de celulares em circulação é mesma coisa que falar para uma criança que ela pode brincar na hora do recreio. O efeito é nulo.
A população está cobrando outra coisa. A conquista do direito à telecomunicação já está assimilado - e foi subsituído pelo debate sobre o acesso à internet de qualidade - e a nova geração de eleitores não está interessada no que foi o debate - ideológico e prático - sobre as privatizações, e, muito menos, no seu simulacro mais de uma década depois.
A população quer garantias da continuidade do que foi conquistado nos últimos anos e é isso que a oposição não oferece. A população quer ver o que os líderes pensam sobre o futuro do país, e é isso que os tucanos não querem mostrar.
Não que o PT e os partidos de situação sejam melhores, mas, repetindo, entre um governo bem avaliado e outro que oferece retórica, a escolha é óbvia.
O mais triste é que com as iminentes prisões do réus da AP 470, a oposição presta mais atenção à retórica comemorativa inconsequente da imprensa - com direito a especulação se Dirceu pode ou não ser assassinado na prisão - do que ao recado que saiu das urnas.
Álvaro Dias, um dos baluartes do moralismo tucano, horas após o pleito deste ano, avaliou que há uma crise de representatividade dos partidos, todos os partidos. Mas, seu ato subsequente foi abandonar o PSDB, mostrando que os tucanos têm pouca noção do momento pelo qual a nação passa.
Queremos sim uma oposição responsável que ofereça alternativas de visões de país e de futuro. Necessitamos de uma oposição de esquerda e de direita ao centrismo pragmático do PT que há 10 anos está no poder.
Os desafios são imensos e as respostas não virão de posições antigas e mofadas de um neoliberalismo falido.
A melhor notícia da política que poderia ser veiculada hoje seria a decisão da cúpula tucana de organizar conferências regionais um congresso nacional de vários dias para avaliar as eleições e refundar o partido para enfrentar o próximo pleito daqui dois anos. Isto forçaria o PT a parar para pensar um pouco e baixar a guarda levantada com as condenações da AP 470, conforme a nota emitida esta semana.
Mas isto seria visto com lamber feridas. Além disso, os eternos donos do poder tucano se sentiriam ameaçados, pois suas caras posições ideológicas poderiam finalmente serem jogadas no lixo. E, afinal, nem todas novas lideranças tucanas caberiam no Fasano nos jardins paulistanos.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Faltam quantas creches em SP?
Esta semana acredito que nem as baratas paulistanas se surpreenderam com a dissimulação dos nossos governantes. Kassab, em um balanço das 223 metas para a cidade, admitiu ao SPTV que sim, faltam vagas em creches para 150 mil crianças em São Paulo.
Disse o alcaíde que é um investimento contínuo e, portanto, difícil de fazer.
Segundo balanço do Movimento Nossa São Paulo esta é uma das 141 metas definidas em 2009 e que ainda não foram atendidas. Apenas 36% destas metas foram dadas como cumpridas pelo movimento.
Kassab, no entanto, prefere inverter a informação e fala de 73% de eficiência no cumprimento destas metas pelo simples fato de que elas estão sendo implementadas (isso desde 2009, se me lembro bem, e seria tempo para um aluno de creche graduar para a escola infantil).
Ontem, o SPTV nada questionou, nada rebateu, apenas aceitou a explicação de Kassab e hoje nem disponibiliza este vídeo em seu site para conferência.
O fato é que o vice do candidato Serra, ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider, é um dos responsáveis por deixar 150 mil mães paulistanas rebolando para poder achar trabalho ou, se achar, ter que arcar do seu bolso o dinheiro para que alguém tome conta de seus filhos.
Ao Estadão, Serra fez pouco caso disso: ainda faltam vagas, mas as que existem são de boa qualidade, disse (ironizou?) ele.
Escolhendo o continuismo (leia-se Alexandre Schneider do PSD de Kassab) de sua cria, Serra mostra que nada pode mudar se eleito.
Pelo menos as baratas paulistanas não serão afetadas pela falta de políticas para a área de educação infantil: suas crias têm ootecas resistentes a quase tudo, e quando nascem - baratinhas brancas - elas sabem como sobreviver instintivamente escondendo-se da visão dos predadores (e dos governantes).
Será que teremos que adotar similar estratégia reprodutiva para viver em SP?
Disse o alcaíde que é um investimento contínuo e, portanto, difícil de fazer.
Segundo balanço do Movimento Nossa São Paulo esta é uma das 141 metas definidas em 2009 e que ainda não foram atendidas. Apenas 36% destas metas foram dadas como cumpridas pelo movimento.
Kassab, no entanto, prefere inverter a informação e fala de 73% de eficiência no cumprimento destas metas pelo simples fato de que elas estão sendo implementadas (isso desde 2009, se me lembro bem, e seria tempo para um aluno de creche graduar para a escola infantil).
Ontem, o SPTV nada questionou, nada rebateu, apenas aceitou a explicação de Kassab e hoje nem disponibiliza este vídeo em seu site para conferência.
O fato é que o vice do candidato Serra, ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider, é um dos responsáveis por deixar 150 mil mães paulistanas rebolando para poder achar trabalho ou, se achar, ter que arcar do seu bolso o dinheiro para que alguém tome conta de seus filhos.
Ao Estadão, Serra fez pouco caso disso: ainda faltam vagas, mas as que existem são de boa qualidade, disse (ironizou?) ele.
Escolhendo o continuismo (leia-se Alexandre Schneider do PSD de Kassab) de sua cria, Serra mostra que nada pode mudar se eleito.
Pelo menos as baratas paulistanas não serão afetadas pela falta de políticas para a área de educação infantil: suas crias têm ootecas resistentes a quase tudo, e quando nascem - baratinhas brancas - elas sabem como sobreviver instintivamente escondendo-se da visão dos predadores (e dos governantes).
Será que teremos que adotar similar estratégia reprodutiva para viver em SP?
terça-feira, 3 de julho de 2012
Serra opta pela continuidade da obra de Kassab
Se o acordo entre PT e PP criou tanto alarme pela possibilidade de dar espaço para uma força conservadora num eventual governo petista na cidade de São Paulo, o acordo para o vice do Serra mostra que o tucano aposta na continuidade da atual administração.
Seu vice, do PSD do Kassab, será o ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider. A escolha causou furor no campo Tucano, pois, segundo reportagem da Carta Capital.
A grande imprensa prestou atenção nesta briga no ninho Tucano e seu significado e enquanto Serra continua a fazer rir até a mais ingênua das baratas paulistanas ao tentar se passar de mocinho.
Segundo o semanário, ele disse que a escolha não foi por barganha política, e sim porque " “O Alexandre tem uma suavidade indestrutível”, disse Serra, segundo quem Schneider será seu “lado bonzinho”".
Seu vice, do PSD do Kassab, será o ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider. A escolha causou furor no campo Tucano, pois, segundo reportagem da Carta Capital.
A grande imprensa prestou atenção nesta briga no ninho Tucano e seu significado e enquanto Serra continua a fazer rir até a mais ingênua das baratas paulistanas ao tentar se passar de mocinho.
Segundo o semanário, ele disse que a escolha não foi por barganha política, e sim porque " “O Alexandre tem uma suavidade indestrutível”, disse Serra, segundo quem Schneider será seu “lado bonzinho”".
domingo, 1 de julho de 2012
São Paulo dobra número de metas cumpridas no final do mandato, mas ainda está abaixo dos 50%
Para o Movimento Nossa São Paulo, apenas 36% das metas autodecalaradas pela prefeitura para a cidade de São Paulo em 2012 foram atingidas. Para a prefeitura, 73% de eficiência foi atingido e para o G1, tanto faz, o que vale é o registro de que os pré-candidatos estiveram presentes ao evento liderado por Oded Grajew (mas nem Serra nem Russomano aparecerem por lá).
O balanço apresentado pelo Movimento Nossa São Paulo é bem detalhado e é resultado de anos de trabalho que acompanhei desde o começo e que visa trazer critérios objetivos para avaliação das adminsitrações públicas. Pretendo trestrinchá-lo aqui em posts posteriores, pois são uma boa análise da cidade.
Transformada em lei, a definição, acompanhamento e cumprimento destas metas estão disponívels no site da prefeitura Agenda 2012, que vai até o final do mandato de Kassab.
Elas são bem detalhadas e contêm informações para cada uma das 31 subprefeituras (pois cada uma tem suas prioridades) e dos 96 distritos. No evento foram também apresentadas propostas para os candidatos presentes.
Segundo o quador resumo - que foi a única informação a ser divulgada pela imprensa na maioria dos casos - dos 223 programas, apenas 81 foram cumpridas. Do restante, 141 estão em andamento e 1 das metas não foi iniciada.
Em junho de 2011, o relatório da prefeitura mostrou que 15% das 223 metas tinham sido cumpridas, 83% estavam em execução e 3% ainda não tinham sido iniciadas. Interessante esta comparação, mostrando que de junho 2011 para cá houve uma aceleração no cumprimento das metas.
Mas, para além do quadro resumo, é preciso entrar nos detalhes e daí entender quais as prioridades desta administração.
O balanço apresentado pelo Movimento Nossa São Paulo é bem detalhado e é resultado de anos de trabalho que acompanhei desde o começo e que visa trazer critérios objetivos para avaliação das adminsitrações públicas. Pretendo trestrinchá-lo aqui em posts posteriores, pois são uma boa análise da cidade.
Transformada em lei, a definição, acompanhamento e cumprimento destas metas estão disponívels no site da prefeitura Agenda 2012, que vai até o final do mandato de Kassab.
Elas são bem detalhadas e contêm informações para cada uma das 31 subprefeituras (pois cada uma tem suas prioridades) e dos 96 distritos. No evento foram também apresentadas propostas para os candidatos presentes.
Segundo o quador resumo - que foi a única informação a ser divulgada pela imprensa na maioria dos casos - dos 223 programas, apenas 81 foram cumpridas. Do restante, 141 estão em andamento e 1 das metas não foi iniciada.
Em junho de 2011, o relatório da prefeitura mostrou que 15% das 223 metas tinham sido cumpridas, 83% estavam em execução e 3% ainda não tinham sido iniciadas. Interessante esta comparação, mostrando que de junho 2011 para cá houve uma aceleração no cumprimento das metas.
Mas, para além do quadro resumo, é preciso entrar nos detalhes e daí entender quais as prioridades desta administração.
| Meta cumpridas | 81 | 36,77% |
| Em andamento | 141 | 63,23% |
| Não iniciada | 1 | 0,45% |
| Total | 223 | 100,00% |
quarta-feira, 20 de junho de 2012
A política 'minutófila'
O cálculo é feito em minutos neste estágio das campanhas eleitorais. Quanto mais exposição na TV, melhor. Acredito que os marqueteiros políticos tenham lá suas razões num mundo ultramediado pela televisão, mas há algo de perverso nesta equação já que considera os eleitores como postes que acreditam em belas imagens, discursos televisivos e soluções de gaveta.
E não existe um candidato que tenha coragem de quebrar esta lógica, mesmo que nas mesas de debates falem mal do sistema e a favor de uma reforma política. Estão todos rendidos e não vêem as alternativas que existem ao discurso hipodérmico da televisão.
Fechadas as alianças em torno da TV, tenho certeza que vão todos se embrenhar pelas redes sociais na Internet. Mas o diálogo não é o forte deles. Não só por que não sabem se comunicar com a população de maneira eficiente - com contratação de estagiários para ficar twitando e facebuqueando -, mas, principalmente, porque não têm conteúdo para oferecer já que não têm programa. Que programa haveria de existir entre PT e PP?
Personificada a eleição em torno de malufs, haddads, lulas, serras, alckmins e efeahagacês sobra pouco espaço para elaborar programas realmente inovadores.
Vão enunciar suas ideias, vão despejar carinho e atenção aos internautas, vão falar de segurança (sim, precisamos de mais segurança), saúde (o sistema público está falido), educação (dois professores por sala de aula), sustentabilidade (o meio ambiente é importante) e por aí vai. E vão existir os trolls dos dois lados fazendo o jogo sujo comandado pelas cúpulas enquanto Serra vai posar de John Wayne e falar que odeia o 'vale tudo'.
Espero que esteja errado, mas acho pouco provável não estar. O candidato que conseguir transpor esta lógica terá uma enorme oportunidade nas mãos.
Os veículos de comunicação estão desacreditados já que o esforço sobrehumano dos articulistas dos jornalões como Toledo, Noblat e outros de pintar de rosa e boas intenções a campanha do Serra e de podre a de Haddad (cujo nome evitam mencionar a todo custo) não convencem nem a mais inocente das baratas paulistanas.
Em tempo, comentário da imprensa hoje:
Forçada pela blogosfera e depois do estrago feito, a Folha hoje publica foto de Alckmin sorrindo de braços dados com Maluf em matéria falando que Maluf perdeu espaço em seu governo. Isto é cinismo, já que o fato da participação do Maluf no ninho tucano foi escondido até agora.
É uma brincadeira de mal gosto a coluna do José Toledo no Estadão de hoje tentando minimizar a importância dos minutos para Serra, como se os tucanos não tivessem tentado de tudo para embarcar Maluf e seus 1:35 na sua campanha.
E não existe um candidato que tenha coragem de quebrar esta lógica, mesmo que nas mesas de debates falem mal do sistema e a favor de uma reforma política. Estão todos rendidos e não vêem as alternativas que existem ao discurso hipodérmico da televisão.
Fechadas as alianças em torno da TV, tenho certeza que vão todos se embrenhar pelas redes sociais na Internet. Mas o diálogo não é o forte deles. Não só por que não sabem se comunicar com a população de maneira eficiente - com contratação de estagiários para ficar twitando e facebuqueando -, mas, principalmente, porque não têm conteúdo para oferecer já que não têm programa. Que programa haveria de existir entre PT e PP?
Personificada a eleição em torno de malufs, haddads, lulas, serras, alckmins e efeahagacês sobra pouco espaço para elaborar programas realmente inovadores.
Vão enunciar suas ideias, vão despejar carinho e atenção aos internautas, vão falar de segurança (sim, precisamos de mais segurança), saúde (o sistema público está falido), educação (dois professores por sala de aula), sustentabilidade (o meio ambiente é importante) e por aí vai. E vão existir os trolls dos dois lados fazendo o jogo sujo comandado pelas cúpulas enquanto Serra vai posar de John Wayne e falar que odeia o 'vale tudo'.
Espero que esteja errado, mas acho pouco provável não estar. O candidato que conseguir transpor esta lógica terá uma enorme oportunidade nas mãos.
Os veículos de comunicação estão desacreditados já que o esforço sobrehumano dos articulistas dos jornalões como Toledo, Noblat e outros de pintar de rosa e boas intenções a campanha do Serra e de podre a de Haddad (cujo nome evitam mencionar a todo custo) não convencem nem a mais inocente das baratas paulistanas.
Em tempo, comentário da imprensa hoje:
Forçada pela blogosfera e depois do estrago feito, a Folha hoje publica foto de Alckmin sorrindo de braços dados com Maluf em matéria falando que Maluf perdeu espaço em seu governo. Isto é cinismo, já que o fato da participação do Maluf no ninho tucano foi escondido até agora.
É uma brincadeira de mal gosto a coluna do José Toledo no Estadão de hoje tentando minimizar a importância dos minutos para Serra, como se os tucanos não tivessem tentado de tudo para embarcar Maluf e seus 1:35 na sua campanha.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Umas e outras - o estrago de Maluf e a saída de Erundina
Como dizem os sábios: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. O PT pagar o preço pedido por Maluf é uma coisa e o PSDB não querer pagar o cobrado é outra coisa.
Mas, o fato é que a cobertura dos jornais paulistas e nacionais é enviesada para dar a impressão que pragmatismo político é só do PT, enquanto os direitistas, tucanos e outros políticos afins, não se sujam.
Balela. Eles estão sujos até os colarinhos que cobrem suas gravatas Hermès. Até ontem, Maluf ditava regras em algumas repartições do Palácio dos Bandeirantes e foi duramente assediado pelo Serra, que não conseguiu, imagino eu, sobrepor as trincheiras da arrogância e ambição alckmistas que visam sucesso em 2014.
Mas os jornalões omitiram este fato e deram a impressão de que Maluf foi criação do PT e que só o PT se rebaixaria a fazer aliança com um procurado pela Interpol. Cardeais como são os tucanos, não sairiam, segundo a omissão dos articulistas políticos dos jornais, de sua altivez moral para tentar algo sequer parecido. A outra sujeira dos editorialistas paulistas é deixar a impressão de que Maluf pessoalmente assumiria algum cargo no governo Dilma...
Mas, São Paulo, por mais poderoso que seja, não é páreo para um cargo no governo federal. Isto é uma coisa (mal contada pela grande imprensa e melhor contada na blogosfera por Altamiro Borges e pelo Zé Dirceu).
E deu na outra coisa, que é exatamente o preço político desta aliança 'minutófila': a saída - por enquanto, pois em política nada é para sempre - da Erundina da campanha do Haddad.
Os estrategistas talvez estejam fazendo as contas e neste momento consideram mais importante contar segundos do que ter a coerência programática.
De uma certa maneira, o resultado foi o que os jornalões queriam ao tentar esconder do público os verdadeiros protagonistas desta pantomima sem graça. No entanto, ao meu ver, perde a candidatura de Haddad com esta brincadeira. Maluf agrega minutos - e, mais importantemente, os tira dos tucanos -, mas não traz votos.
Todas as baratas paulistanas sabem que quem vota Maluf não vota PT e quem vota PT não gosta nem de ver a sombra de Maluf. E duvido muito que os cinco pontos ganhos por Haddad tem a ver com Maluf. Mas quando se vê imagens iconoclásticas como as que vimos estampadas em toda a imprensa hoje, a rejeição é enorme e nem Erundina conseguiu segurar a barra.
Estaria tudo bem se a verdade fosse como querem os articuladores petistas que 'recebeu apoio' do Maluf, como, aliás já aconteceu antes. Mas não foi isso que deve ter ocorrido.
A negociação foi dura e, temo eu, programática. Se não fosse, Erundinda, tão clara na suas entrevistas no final de semana, não teria abdicado sua posição na chapa de Haddad. E Zé Dirceu, talvez um dos mais astutos analistas políticos deste país deu o recado bem dado no seu blog: a decisão é para a cúpula, e não se metam.
Escreveu o ex-presidente do PT: "Petistas e aliados, por favor, sem esquecer que o foro mais adequado para debater e buscar a solução dessa questão é a coordenação e a direção política da aliança e da campanha do Fernando Haddad. Deflagrar um debate em torno disso em público e pela mídia é dar chumbo ao adversário".
É claro que há a necessidade de tomadas de decisões pelas cúpulas, mas a questão programática é a única que trará alguma qualidade à política é a última que cobram os jornalistas. É preciso discutir programas, pois eles contêm alguma solução de deixam claro o que é um campo e o que outro, antes que marqueteiros misturem as coisas.
Mas, o fato é que a cobertura dos jornais paulistas e nacionais é enviesada para dar a impressão que pragmatismo político é só do PT, enquanto os direitistas, tucanos e outros políticos afins, não se sujam.
Balela. Eles estão sujos até os colarinhos que cobrem suas gravatas Hermès. Até ontem, Maluf ditava regras em algumas repartições do Palácio dos Bandeirantes e foi duramente assediado pelo Serra, que não conseguiu, imagino eu, sobrepor as trincheiras da arrogância e ambição alckmistas que visam sucesso em 2014.
Mas os jornalões omitiram este fato e deram a impressão de que Maluf foi criação do PT e que só o PT se rebaixaria a fazer aliança com um procurado pela Interpol. Cardeais como são os tucanos, não sairiam, segundo a omissão dos articulistas políticos dos jornais, de sua altivez moral para tentar algo sequer parecido. A outra sujeira dos editorialistas paulistas é deixar a impressão de que Maluf pessoalmente assumiria algum cargo no governo Dilma...
Mas, São Paulo, por mais poderoso que seja, não é páreo para um cargo no governo federal. Isto é uma coisa (mal contada pela grande imprensa e melhor contada na blogosfera por Altamiro Borges e pelo Zé Dirceu).
E deu na outra coisa, que é exatamente o preço político desta aliança 'minutófila': a saída - por enquanto, pois em política nada é para sempre - da Erundina da campanha do Haddad.
Os estrategistas talvez estejam fazendo as contas e neste momento consideram mais importante contar segundos do que ter a coerência programática.
De uma certa maneira, o resultado foi o que os jornalões queriam ao tentar esconder do público os verdadeiros protagonistas desta pantomima sem graça. No entanto, ao meu ver, perde a candidatura de Haddad com esta brincadeira. Maluf agrega minutos - e, mais importantemente, os tira dos tucanos -, mas não traz votos.
Todas as baratas paulistanas sabem que quem vota Maluf não vota PT e quem vota PT não gosta nem de ver a sombra de Maluf. E duvido muito que os cinco pontos ganhos por Haddad tem a ver com Maluf. Mas quando se vê imagens iconoclásticas como as que vimos estampadas em toda a imprensa hoje, a rejeição é enorme e nem Erundina conseguiu segurar a barra.
Estaria tudo bem se a verdade fosse como querem os articuladores petistas que 'recebeu apoio' do Maluf, como, aliás já aconteceu antes. Mas não foi isso que deve ter ocorrido.
A negociação foi dura e, temo eu, programática. Se não fosse, Erundinda, tão clara na suas entrevistas no final de semana, não teria abdicado sua posição na chapa de Haddad. E Zé Dirceu, talvez um dos mais astutos analistas políticos deste país deu o recado bem dado no seu blog: a decisão é para a cúpula, e não se metam.
Escreveu o ex-presidente do PT: "Petistas e aliados, por favor, sem esquecer que o foro mais adequado para debater e buscar a solução dessa questão é a coordenação e a direção política da aliança e da campanha do Fernando Haddad. Deflagrar um debate em torno disso em público e pela mídia é dar chumbo ao adversário".
É claro que há a necessidade de tomadas de decisões pelas cúpulas, mas a questão programática é a única que trará alguma qualidade à política é a última que cobram os jornalistas. É preciso discutir programas, pois eles contêm alguma solução de deixam claro o que é um campo e o que outro, antes que marqueteiros misturem as coisas.
Piada pronta: aproximação programática entre PP e PT
"são as ações de combates às enchentes, às crises da saúde e da educação"
Parece uma piada pronta para tirar proveito da falta de memória do paulistano, ou uma reportagem mal feita. Segundo o Estadão, o presidente do PT paulista, Edinho Silva, existe uma visão comum entre o PP e PT que favoreceu a aliança que trouxe Maluf para os braços do governo federal com o controle de uma das secretarias federais mais ricas da união, a de saneamento.
Eu, que sou da laia que tenta entender a política além da movimentação puramente partidária na disputa por tempo em TV, sempre busco alguma informação que indica uma visão mais programática. Mas nesse caso é difícil de engolir.
Como que o PT e o PP podem ter visões confluentes nos assuntos mencionados?
Enchentes
PP, em especial Maluf, é o idealizador do asfaltamento da cidade, do minhocão, das avenidas cobrindo várzeas dos rios, pelas soluções paleativas como piscinões e pelo fomento ao automóvel. Da Bratkelândia que abriu a cidade para a especulação imobiliária sem precedentes.
PT é o partido do urbanista Nabil Bonduki, do primeiro plano diretor da cidade dos anos 2000, que depois foi abandonado pela administração Serra/Kassab com apoio dos progressistas de Maluf. Das alianças com os movimentos de moradia do centro.
Saúde e educação
PP o partido que tirou o sistema de saúde da maior cidade da América do Sul do SUS por meio de uma privatização esdrúxula nos anos 90. Dos baixos salários dos médicos. Do estado mínimo.
PT o partido ligado aos sindicatos que lutam contra a privatização do sistema de saúde e de educação. PT o partido que criou os CEUs e os telecentros gratuitos. Que fortaleceu o ENEM.
Gostaria muito de saber, Edinho, os detalhes dos 'pontos de aproximação'.
Identificar os problemas de São Paulo não basta. Até as baratas paulistanas reclamam das enchentes, até os ratos chiam da falta de educação pública de qualidade e mesmo o PCC luta contra o sucateamento da saúde para garantir bem estar de seus soldados.
Então, com visões históricas tão diferentes, quem cedeu para tal aproximação? O PT de Bonduki e dos sindicatos ou o PP das empreiteiras e do especuladores imobiliários, da educação e da saúde?
Fosse eu o editor mandaria o repórter ligar pro Edinho e detalhar este ponto. Já que não estou nesta posição, pergunto aos internautas e ao próprio presidente do PT paulista. O que esta 'coligação' vai apresentar para o eleitor paulistanos nos 1 minutos e meio de tempo a mais na televisão?
Parece uma piada pronta para tirar proveito da falta de memória do paulistano, ou uma reportagem mal feita. Segundo o Estadão, o presidente do PT paulista, Edinho Silva, existe uma visão comum entre o PP e PT que favoreceu a aliança que trouxe Maluf para os braços do governo federal com o controle de uma das secretarias federais mais ricas da união, a de saneamento.
Eu, que sou da laia que tenta entender a política além da movimentação puramente partidária na disputa por tempo em TV, sempre busco alguma informação que indica uma visão mais programática. Mas nesse caso é difícil de engolir.
Como que o PT e o PP podem ter visões confluentes nos assuntos mencionados?
Enchentes
PP, em especial Maluf, é o idealizador do asfaltamento da cidade, do minhocão, das avenidas cobrindo várzeas dos rios, pelas soluções paleativas como piscinões e pelo fomento ao automóvel. Da Bratkelândia que abriu a cidade para a especulação imobiliária sem precedentes.
PT é o partido do urbanista Nabil Bonduki, do primeiro plano diretor da cidade dos anos 2000, que depois foi abandonado pela administração Serra/Kassab com apoio dos progressistas de Maluf. Das alianças com os movimentos de moradia do centro.
Saúde e educação
PP o partido que tirou o sistema de saúde da maior cidade da América do Sul do SUS por meio de uma privatização esdrúxula nos anos 90. Dos baixos salários dos médicos. Do estado mínimo.
PT o partido ligado aos sindicatos que lutam contra a privatização do sistema de saúde e de educação. PT o partido que criou os CEUs e os telecentros gratuitos. Que fortaleceu o ENEM.
Gostaria muito de saber, Edinho, os detalhes dos 'pontos de aproximação'.
Identificar os problemas de São Paulo não basta. Até as baratas paulistanas reclamam das enchentes, até os ratos chiam da falta de educação pública de qualidade e mesmo o PCC luta contra o sucateamento da saúde para garantir bem estar de seus soldados.
Então, com visões históricas tão diferentes, quem cedeu para tal aproximação? O PT de Bonduki e dos sindicatos ou o PP das empreiteiras e do especuladores imobiliários, da educação e da saúde?
Fosse eu o editor mandaria o repórter ligar pro Edinho e detalhar este ponto. Já que não estou nesta posição, pergunto aos internautas e ao próprio presidente do PT paulista. O que esta 'coligação' vai apresentar para o eleitor paulistanos nos 1 minutos e meio de tempo a mais na televisão?
domingo, 17 de junho de 2012
De volta por uma São Paulo mais à esquerda
Constrangido que possa estar de ver convites a Paulo Maluf, este ícone do atraso paulistano, reabro meu blog para acompanhar a campanha à prefeito de São Paulo, cidade que acolheu meus antepassados escapando da Europa fascista, as pessoas mais queridas que conheço - que vieram de fora, lá dos planaltos no centro do país, do bravo nordeste, do além-mar - e que precisa de mudança.
Esta mudança, na minha opinião, se dará com a derrota do projeto atual para a cidade e com a vitória da chapa PT-PSB Haddad/Erundina.
Antes da entrada da socialista - aliás detentora eterna de meu voto -, já tinha me decidido pelo apoio à candidatura petista.
Política, como disse hoje Erundina em uma entrevista capciosa ao O Estado de SP, 'é real. Não é algo que se dá no plano do ideal, da abstração, da vontade política só'.
Portanto, neste espaço nobre que a pós-modernidade me oferece, escreverei e tentarei analisar os movimentos políticos com três intenções: contribuir para o debate na rede, ajudar colocar os pingos nos is para podermos melhor cobrar de nossos candidatos e mostrar porque devemos colocar Haddad e Erunidna no Palácio Francisco Matarazzo.
As políticas atávicas e anacrônicas da era Serra/Kassab já fizeram seu estrago e precisam agora ser paradas e compensadas com inteligência, inovação e um pouco mais de visão à esquerda.
Temos uma cidade absolutamente abandonada ao poder econômico. Travada pela visão antiquada das elites paulistanas ancasteladas em seus bairros nobres. Frustrada na capacidade de inovação que vem das periferias e cruel com a exaltação do mito egoísta do self-made man.
Pode ser diferente?
Pode e as iniciativas isoladas mostram que pode. Erundina mostrou que pode, Marta Suplicy também.
Haddad foi bem avaliado no Ministério da Educação. Jovem, comprometido com ideais que compartilho e membro de um governo que ajudou a transformar este país.
Erundina, na minha opinião, dispensaria palavras. Sabe fazer política com o sabre na mão, mas que usa preferencialmente o ramo de oliveira. Mulher, nordestina, corajosa, nunca abandonou seus ideais e nestes anos todos na Câmara dos Deputados, escolhendo as causas justas e importantes para o país.
Maluf nesta campanha é constrangedor, mas em um sistema onde minutos de televisão valem mais que o peso do ouro, entendo o movimento das cúpulas dos partidos.
Será um custo a pagar, mas pela sua idade, pela debilidade do velho jeito de fazer política, não acredito que terá muita influência num eventual governo. Cabe a nós, após a vitória, fiscalizar e cobrar coerência no programa e evitar que Maluf e seus aliados tenham poder de manter nas subprefeituras o seu passatempo favorito: o balcão de negócios.
No entanto, terá, acredito, um papel relevante para angariar as hordas de vereadores mal-acostumados com o ganha-perde dos balcões municipais que ainda acreditam ver em Maluf a força da politicagem.
Enfim, reinicio aqui meu blog. Espero contribuir para que São Paulo fique um pouco mais à esquerda e comece a reassumir seu verdadeiro papel no mundo e no cenário nacional.
Alexandre Spatuzza
Esta mudança, na minha opinião, se dará com a derrota do projeto atual para a cidade e com a vitória da chapa PT-PSB Haddad/Erundina.
Antes da entrada da socialista - aliás detentora eterna de meu voto -, já tinha me decidido pelo apoio à candidatura petista.
Política, como disse hoje Erundina em uma entrevista capciosa ao O Estado de SP, 'é real. Não é algo que se dá no plano do ideal, da abstração, da vontade política só'.
Portanto, neste espaço nobre que a pós-modernidade me oferece, escreverei e tentarei analisar os movimentos políticos com três intenções: contribuir para o debate na rede, ajudar colocar os pingos nos is para podermos melhor cobrar de nossos candidatos e mostrar porque devemos colocar Haddad e Erunidna no Palácio Francisco Matarazzo.
As políticas atávicas e anacrônicas da era Serra/Kassab já fizeram seu estrago e precisam agora ser paradas e compensadas com inteligência, inovação e um pouco mais de visão à esquerda.
Temos uma cidade absolutamente abandonada ao poder econômico. Travada pela visão antiquada das elites paulistanas ancasteladas em seus bairros nobres. Frustrada na capacidade de inovação que vem das periferias e cruel com a exaltação do mito egoísta do self-made man.
Pode ser diferente?
Pode e as iniciativas isoladas mostram que pode. Erundina mostrou que pode, Marta Suplicy também.
Haddad foi bem avaliado no Ministério da Educação. Jovem, comprometido com ideais que compartilho e membro de um governo que ajudou a transformar este país.
Erundina, na minha opinião, dispensaria palavras. Sabe fazer política com o sabre na mão, mas que usa preferencialmente o ramo de oliveira. Mulher, nordestina, corajosa, nunca abandonou seus ideais e nestes anos todos na Câmara dos Deputados, escolhendo as causas justas e importantes para o país.
Maluf nesta campanha é constrangedor, mas em um sistema onde minutos de televisão valem mais que o peso do ouro, entendo o movimento das cúpulas dos partidos.
Será um custo a pagar, mas pela sua idade, pela debilidade do velho jeito de fazer política, não acredito que terá muita influência num eventual governo. Cabe a nós, após a vitória, fiscalizar e cobrar coerência no programa e evitar que Maluf e seus aliados tenham poder de manter nas subprefeituras o seu passatempo favorito: o balcão de negócios.
No entanto, terá, acredito, um papel relevante para angariar as hordas de vereadores mal-acostumados com o ganha-perde dos balcões municipais que ainda acreditam ver em Maluf a força da politicagem.
Enfim, reinicio aqui meu blog. Espero contribuir para que São Paulo fique um pouco mais à esquerda e comece a reassumir seu verdadeiro papel no mundo e no cenário nacional.
Alexandre Spatuzza
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
São Paulo, uma cidade sem notícia
Resolvi hoje abordar a cobertura da cidade de São Paulo pelos principais jornais, pois, além de não ter atualizado esta página desde o mês passado, fiquei estupefato com uma manchete do Jornal da Tarde, um dos dois principais jornais que cobrem minha cidade e acordei com um helicóptero de uma emissora de TV ou rádio estacionado acima de minha casa filmando o trânsito na marginal.
A manchete do JT diz que piratas oferecem filmes em catálogo para evitar fiscalização. Pasmem! Tá aí uma coisa que os ossos de todos os paulistanos já sabia. Basta andar nas calçadas da cidade e, principalmente, no centro do contrabando da informação e entretenimento digitalizado, a rua Santa Efigênia. Não vi a capa do Diário de SP, o outro jornal da cidade, pois a banca onde estava não o exibia.
Uma rápida passagem pelo sites destes jornais, nas abas de Cotidiano e São Paulo da Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo respectivamente me mostrou que São Paulo é quase uma cidade sem notícia.
Temas em destaque: assassinato duplo na Rua Oscar Freire (com foto de um modelo metálico envolvido); estacionamento a R$12...
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domingo, 17 de julho de 2011
Democratizando a imprensa, o debate necessário
Reproduzo aqui a íntegra de post de Edurado Guimarães publicado no seu Blog da Cidadania. Para quem não sabe, Edurado Guimarães integra o grupo de blogueiros auto denominado 'Blogueiros Progressistas' que se coloca à esquerda no espectro político e faz forte apoio ao governo atual do PT.
Outro posicionamento claro deste grupo é a promoção da democratização da imprensa. Eles acreditam que existe a necessidade não só de facilitar e expandir o acesso do público à Internet, mas também na necessidade de combater a concentração do controle empresarial da imprensa, denunciando o sofismo da grande imprensa de que o governo está tentando cercear a liberdade de expressão.
Outro posicionamento claro deste grupo é a promoção da democratização da imprensa. Eles acreditam que existe a necessidade não só de facilitar e expandir o acesso do público à Internet, mas também na necessidade de combater a concentração do controle empresarial da imprensa, denunciando o sofismo da grande imprensa de que o governo está tentando cercear a liberdade de expressão.
Obscurantismo na cobertura política em SP
Sensacionalismo puro o título do Estadao.com.br:
Câmara aprova só 10% de leis dos vereadores
O que me incomoda nestas manchetes é o óbvio, pois qualquer cidadão que acompanha política, como deveriam os repórteres do jornal, sabe que no sistema atual quem manda é o executivo. É um problema estrutural da nossa política. Além disso, existe uma grande distância entre projetos propostos e aprovados.
Para piorar, medir o desempenho de parlamentares apenas pelos projetos aprovados - e só os da própria autoria - beira no niilismo.
Em 2011, paulistanos pagaram R$ 514 mil por lei aprovada
O link é para uma matéria do Jornal da Tarde com um título um pouco menos obscurantista:Câmara aprova só 10% de leis dos vereadores
O que me incomoda nestas manchetes é o óbvio, pois qualquer cidadão que acompanha política, como deveriam os repórteres do jornal, sabe que no sistema atual quem manda é o executivo. É um problema estrutural da nossa política. Além disso, existe uma grande distância entre projetos propostos e aprovados.
Para piorar, medir o desempenho de parlamentares apenas pelos projetos aprovados - e só os da própria autoria - beira no niilismo.
terça-feira, 21 de junho de 2011
E um país continua a derreter
A Eurozona e o FMI conseguiram! Tiraram um país do mapa. Varreram para debaixo do tapete os restos. A Grécia tomou o primeiro passo para o total desfalecimento.
Ontem, o primeiro ministro grego, George Papandreou, do Movimento Socialista Panelêncio, ganhou o voto de confiãnça (veja aqui em inglês). Ganhou é mero formalismo, pois conseguiu 155 votos contra 143, com duas abstenções (o que me lembra vitória apertada de Alckmin por menos de 1% dos votos nas últimas eleições para o governo paulista alardedada com vitória). Ou seja, quase metade está contra o governo.
Ontem, o primeiro ministro grego, George Papandreou, do Movimento Socialista Panelêncio, ganhou o voto de confiãnça (veja aqui em inglês). Ganhou é mero formalismo, pois conseguiu 155 votos contra 143, com duas abstenções (o que me lembra vitória apertada de Alckmin por menos de 1% dos votos nas últimas eleições para o governo paulista alardedada com vitória). Ou seja, quase metade está contra o governo.
sábado, 14 de maio de 2011
Polêmica metroviária de Higienópolis: falou o guia de Pindamonhangaba e vai ter estação na Av.Angélica
Depois de tudo dito e feito, falou nosso guia da sensibilidade de Pindamonhangaba Alckmin: haverá sim uma estação no bairro de Higienópolis, na Avenida Angélica. Isso indica que, ou a decisão do Metrô de considerar trocar a localização da tal estação para o Pacaembu não era técnica, ou Alckmin está fazendo populismo diante da reação negativa que arregimentou dezenas de milhares de protestantes virtuais em menos de 24 horas.
De todas as 15 estações previstas no traçado da Linha 6 Laranja, apenas a que se coloca num dos bairros mais consolidados e, portanto, rico é que gerou polêmica – diga-se de passagem que em apresentações do metrô, consta a estação no Pacaembu e não da Av. Angélica.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
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