É assim que se destrói a democracia: quando uma decisão não
agrada, ataca-se a instituição. Na hora H, como bem sabia Hitler
com seus camisas marrons da SA, ninguém reclamaria. É isto que estão
fazendo os aloprados do impeachment e, em grau menor, os governistas.
Primeiro a ser atacado foi o TCU. Numa decisão que contrariou os
governistas, a grita foi geral: o TCU não tem institucionalidade
para 'julgar'; não é uma corte; seus 'togados' estão
desmoralizados. O que antes era tomado como uma voz de equilíbrio na
fiscalização do executivo, agora não vale nada.
Mas, pior que isso, é a grita dos líderes da oposição contra o
STF diante do ordenamento jurídico para o rito do impeachment. O
último atacar foi o Paulinho da Força, ventilando neste final de
semana que a mais alta corte está 'aparelhada pelo PT'.
Após terem passado 9 meses buscando razões parajurídicas e
processos céleres para destituir Dilma Rousseff, quando a voz do STF
bloqueou a manobra, ao invés de buscar na política a reconstrução
do consenso para o fim da crise, atacou-se o STF.
O 'ex-fundador' (SIC) do PT, Hélio Bicudo, se entregou de vez ao
show de horrores antidemocráticos e se aliou à corja dos aloprados
on-line, posando para uma foto com um de seus líderes, não antes
de ventilar para toda a nação de que acreditava que o STF está a
mando do PT.
Mas o sinal para os ataques às instituições já tinha sido dado
dentro do próprio judiciário quando o ministro do STE e STF, Gilmar
Mendes, atacou de forma vil a OAB e aprofundou o ataque ao PT (estas
duas últimas são instituições não formais da república, mas são
importantes em si: um representa uma categoria essencial para o
funcionamento do judiciário que necessita do contraditório para
pleno funcionamento do estado de direito, o outro uma instância
política representando milhares de pessoas, de quem, independente
dos crimes cometidos por sua cúpula, é a voz).
Barrados na sua marcha da insensatez, personificam as instituições
e atacam a honra de todos. Nesta cavalgada já tinham se juntado a
força tarefa do juiz Moro alegando que o 'fatiamento da Lava Jato'
era a 'derrota do combate à corrupção' como se só eles poderiam
passar o Brasil a limpo, atacando todos os outros juízes.
Começamos, assim, mais uma semana débil no cenário político
brasileiro, com os políticos brincando com fogo.
Não vai sobrar ninguém, nem a imprensa se salvará desta sanha
autoritária. Todas as instituições estão ameaçadas. E quando as institiuções caírem, quem defenderá o indíviduo?
Ao não gostar das perguntas feitas a Hélio Bicudo, O Movimento Brasil Livre, um dos
grupelhos apoiadores do insano pedido de impeachment atacou quem? A
imprensa. Nas redes sociais, convocou a sua horda alucinada para
atacar a imprensa acusando-a de ser 'petista'.
Hitler tomou o poder, com apoio popular, inicialmente por meio de
manobras legais e intimidação violenta dos opositores e das
instituições. Chegou a queimar o Reichstag para acusar os
comunistas e, à medida que ganhava poder, colocava seus camisas
marrons para chefiar o estado policialesco, aí, sim, num
aparelhamento criminoso do estado.
No fim, ninguém mais podia resistir ou criticar.
Paulinho resumiu bem a autoilusão da oposição de que não iria
haver resistência e, num momento de lucidez, revelou para todos nós
seu abjeto intento de tomar o poder, custe o que custar.
De um lado revelou que não acreditava que seria tão difícil
fazer o impeachment. Pensou que não haveria resistência e, ao
aliar-se a um político com fortíssimos indícios de ser corrupto, explicou que o que vale é 'derrubar Dilma'. Leu errado o momento
político e o momento histórico do Brasil.
Mas, logo em seguida, concluiu: não deveríamos ter revelado
nosso plano para a imprensa.
Ou seja, queria Paulinho que não houvesse imprensa.
Queria o conchavo e a conspiração fora da ordem democrática,
queria tomar de assalto, na calada da noite, o governo por meio de
seus processos ilegais de impeachment que não deveriam ser
questionados. Queria que todos se calassem diante da uma Noite dos
Longos Punhais que feriria de morte o governo e seus apoiadores e os
alçaria ao poder absoluto, sem questionamentos.
A história nos ensina várias lições e uma delas é que a
liberdade de expressão, a transparência e o controle social dos
poderes instituídos só podem funcionar com instituições atuando
com credibilidade. A outra lição é que as instituições são
feitas de homens que passam, mas as instituições tem que ficar, e
por isso ritos, burocracia, registros e processos são essenciais.
Já convivemos há anos com o Congresso autodesmoralizado pela sua
falta de conexão com o povo, que, agora, é destruído ainda mais
por um presidente criminoso se amarrando no poder com os farrapos de
sua arrogância (chamo Eduardo Cunha de criminoso não por ter
supostamente cometido crimes que ainda serão julgados, mas é
criminoso por fazer de refém o Congresso e nação por interesse
próprio).
O Executivo, liderado por uma líder política débil, porém
honesta, está arranhado por uma falta de popularidade e de coerência na
política econômica que permitem ataques diários partindo de uma
imprensa combativa pelos seus próprios interesses, outra instituição
autoimolada que já está sendo atacada pelos seus acertos e não
pelos seus erros.
O ataque as nossas instituições é covarde e hipócrita e está
abrindo uma caixa de pandora de onde sairão esqueletos que pensamos
não existir mais na sociedade brasileira.
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Brasil, terra arrasada: estão a roubar nosso futuro
São três os grupos que querem derrubar o governo petista de
Dilma Rousseff:
Os ideológicos – que não concordam com a visão do papel do Estado dado pelo governo nos últimos 12 anos
Os raivosos – que descarregam na política a raiva, a frustração e o medo, culpando o governo federal por todos os seus fracassos como indivíduos
Os oportunistas – que querem aproveitar-se da situação para tomar o poder ou esconder seus malfeitos e até ganhar dinheiro
Todos eles são moralistas seletivos, antidemocráticos e, sobretudo, covardes, pouco se lixando para o futuro do país e nem pelo estado de direito, instituição garantidora final das liberdades individuais e coletivas construídas nos últimos 40 anos desde a democratização.
Querem anular o voto da maioria da população obtida em uma campanha dura, complexa, mas que se deu dentro das regras do jogo.
Mas o mais chocante é a falta de visão de futuro e a covardia destes grupos.
Falta visão para o país, pois não se preocupam um instante que este alucinado movimento para dar um golpe – sim, chame o que você quiser, e mesmo com a aparência do formalismo legal, é um golpe sujo e desonesto – não pensam duas vezes em jogar o futuro do país na lama.
Paralisado há mais de um ano, o Brasil é impedido de continuar a avançar e se consolidar como nação em desenvolvimento. Ninguém negocia uma saída, todos querem o quanto pior melhor.
Juntando-se, estes grupos não se importam com o futuro e aceitam qualquer coisa desde alianças espúrias com grupelhos elitistas, saudosos dos tempos de tortura e exceção das ditaduras militares, apoio a corruptos e outros contraventores que apontam o dedo para os outros para não apontarem para eles e ideológicos que querem a volta do Estado Mínimo e liberal, numa visão política anacrônica e atávica.
Covardes, estes grupos se aproveitam da impopularidade do governo e a fraqueza política da presidente Dilma Rousseff para não fazer o debate e nem expor para a população seus verdadeiros intentos.
Apoiados na grita contra a corrupção e na consequente criminalização da política, se escondem na falta de projeto político coerente e democrático. A falsa ideia de bagunça macroeconômica no governo – altas pontuais na inflação, rebaixamento, um deficit temporário nas contas, a falácia do isolamento do Brasil no mundo e a supervalorização dos efeitos nefastos da corrupção – esconde uma falta de proposta e o medo de expor o que realmente acreditam.
Todos sabem: com estabilidade política, o Brasil retomaria o seu rumo ao crescimento em pouco tempo, com distribuição de renda, já que fundamentos macroeconômicos o permitiriam. E o resultado das urnas, ainda seria imprevisível, dando uma chance para a oposição de assumir um país legitimamente em 2019 e mudar as políticas com o aval do voto. Sem estabilidade política, ninguém investe e o Brasil fica a deriva, arriscando perder até estes fundamentos.
Poderiam ter escolhido o embate democrático de conquistas de mentes nas ruas e votos no parlamento nos quatro anos que tem até as próximas eleições, mas não: escolheram a destruição da nação por meio de alianças espúrias baseadas em conchavos e manobras corporativistas, apoiando apenas interesses específicos, sem se preocupar com qualquer visão de nação.
Mesquinhos, não revelam que o resultado deste movimento será ainda mais instabilidade política, perda de legitimidade institucional e continuação da piora da economia e, consequentemente, da vida da população. E pior: sem saber quem assumiria o poder, o embate dos oportunistas de plantão se esquentaria, levando o país à beira do abismo autoritário. Quem assumirá o poder imediatamente após o golpe? O vice-presidente, o presidente da Câmara dos Deputados? Com qual legitimidade?
Mas, aqui, é necessário uma pausa, para discutir a corrupção.
Neste quesito, o moralismo seletivo dos golpistas é acachapante e obsceno: não querem investigação e punição justa dos corrupto, querem vingança e linchamento dos que estão no poder. Os ideológicos, querem anular qualquer avanço feito nos últimos anos para o estado de bem-estar social; os raivosos querem matar os que supostamente lhes fizeram mal; os oportunistas querem enfraquecer o campo oposto para tomarem o poder e, sem confiança no voto, se manterem no poder.
A corrupção, antes e durante o governo do PT, é de fato alarmante, gigante, nefasta e precisa ser combatida. O Brasil teria os instrumentos para combater a corrupção e já começou a usá-los. A polícia federal e o ministério público investigam, o judiciário julga e pune. E o executivo não interfere.
Enquanto isso, as novas leis de transparência e a crescente vigilância da sociedade pelas redes sociais caminham para denunciar e elucidar os malfeitos do poder público e, agora, do poder econômico das corporações.
Poder-se-ia elencar aqui este movimentos, mas alguns fatos – nacionais e internacionais – podem ser lembrados para entender que o combate a corrupção, mesmo dentro dos partidos e próprias instâncias do governo, não significam a derrubada do governo.
É bom que se diga que, em mais de um ano de investigação não conseguiram, por mais que tentassem, uma ligação entre o esquema superfaturamento de desvio de dinheiro em contratos entre empresas privadas com a Petrobras – vulgo Petrolão – e a presidente Dilma. O máximo que se chegou é à acusação hipócrita de que, como as empresas investigadas doaram para a campanha dela, então é dinheiro de corrupção. Mas, o que dizer ao ver estas mesmas empresas deram quantias até maiores para o principal candidato da oposição, o alucinado Aécio Neves?
Mesmo comprovadas e contabilizadas, com as contas de campanha aprovadas pelo TSE, estas doações estão suspeitas num eterno e destruidor terceiro turno. Mas o que dizer de acusações similares por operadores do esquema para a oposição? O que dizer de contratos com as mesmas empreiteiras assinados por governos liderados pelas oposições golpistas?
Não, não há legitimidade na acusação.
Nas investigações e no julgamento do suposto Mensalão, o país não parou. Os golpistas não tiveram ânimo para pedir o impeachment do Lula. E políticos e empresários foram presos e respondem por seus atos, com alguns danos para o Estado de Direito, estes muito mais no campo processual do que no campo investigatório em si.
Mas o país seguiu. A democracia foi fortalecida e a nuvem que pairou em cima do partido no poder não escureceu o futuro da nação.
No Reino Unido, parlamentares acusados de desmando foram execrados, defenestrados e punidos. Parlamentares do próprio governo, inclusive alguns ministros, foram envolvidos no lamaçal. Num parlamentarismo, seria mais fácil a troca de governo. Mas o governo não caiu e o escândalo de corrupção teve seu curso normal dentro da democracia e do estado de direito.
Agora, no Brasil, querem diferente. Abandonaram qualquer defesa da democracia e do estado de direito e querem ludibriar a nação para assumirem o poder e não dizem para que.
Esta é a diferença entre uma democracia sólida e uma em construção.
Os golpistas escondem atrás de uma imprensa criminosa por sua seletividade. Uma imprensa alinhada com os interesses econômicos e ideológicos. Uma imprensa aguerrida – no mau sentido – a criar uma narrativa de terra arrasada.
São Paulo, terra de arranha-céus, sabe muito bem o que é ter uma imprensa seletiva a favor de um governo alinhado com seus interesses. Há anos, mandos e desmando construíram a pior e mais assassina polícia no país; um sistema de saúde que destruiu um dos melhores hospitais do país, a Santa Casa; um governo que jogou no lixo o melhor canal de TV pública; uma administração que atrasa obras e assina aditivos com as mesmas empreiteiras acusadas na Alva Jato sem a população nem sequer ver os benefícios de trilhos construídos e, finalmente, o fechamento de escolas e o
descalabro na gestão de recursos hídricos.
Assim, tudo isso culmina com aumentos para o secretariado do governo Geraldo Alckmin, sem a imprensa nem sequer escrever um texto contra, e muito menos dar uma manchete. Sobre todos estes desmandos ficamos sabendo quase que por acaso.
É nesta imprensa parcial e bairrista – que também controla a maioria da informação em nível nacional – que vamos confiar?
Mesmo assim, governador eleito, e apesar de várias razões políticas, não se pede seu impedimento. Sustêm uns que, se a cobertura do governo paulista pela imprensa fosse equilibrada, Alckmin não seria eleito, pelo menos no primeiro turno e, durante o seu (des)governo, multidões pediriam seu afastamento.
Então, será nas simplórias explicações das chamadas pedaladas fiscais, nos fazendo de burros por achar que não entenderíamos o que realmente aconteceu e que já foi feito em governos anteriores sem um questionamento sequer, que vamos acreditar e aceitar o abandono de nossos sonhos?
A derrubada do governo tem um propósito, mas, pior do que isso,
terá consequências gravíssimas.
De certo, na política não há vácuo e o que os ideológicos, raivosos e oportunistas promotores do golpe estão fazendo não é nada mais do que política: ocuparam um espaço deixado pelo governo Dilma. A disputa está aí.
Na sua incapacidade política, Dilma aceitou parte do receituário da oposição e fez o que disse em campanha que não faria, sem uma aceno sequer aos seus apoiadores. Assim, afastou de si uma rede de movimentos prontos para defender seu mandato. Agora, este espaço está sendo ocupado pelos desocupados que alimentam a ideia de golpe e em aberta disputa por todas as forças políticas.
Mas nem todos os erros políticos podem justificar sua derrubada do governo nestas circunstâncias, como não caíram nem governos anteriores Brasil e nem em outros países.
A defesa da democracia hoje é o principal mote para a mobilização em defesa do governo e contra o golpe.
E a cada dia fica mais claro: os que querem o derrubar o governo estão arrasando a terra para tomar o poder e nem por isso param um minuto para pensar no futuro da nação. Com apoio da mídia, dos corporativistas nos tribunais, dos conchavistas no TCU e do ministério público, se iludem de que não existem vozes contrárias. Mas existem sim: apesar de tudo e de todos os erros políticos não somos poucos os que vamos defender o nosso voto e nossos sonhos.
Os ideológicos – que não concordam com a visão do papel do Estado dado pelo governo nos últimos 12 anos
Os raivosos – que descarregam na política a raiva, a frustração e o medo, culpando o governo federal por todos os seus fracassos como indivíduos
Os oportunistas – que querem aproveitar-se da situação para tomar o poder ou esconder seus malfeitos e até ganhar dinheiro
Todos eles são moralistas seletivos, antidemocráticos e, sobretudo, covardes, pouco se lixando para o futuro do país e nem pelo estado de direito, instituição garantidora final das liberdades individuais e coletivas construídas nos últimos 40 anos desde a democratização.
Querem anular o voto da maioria da população obtida em uma campanha dura, complexa, mas que se deu dentro das regras do jogo.
Mas o mais chocante é a falta de visão de futuro e a covardia destes grupos.
Falta visão para o país, pois não se preocupam um instante que este alucinado movimento para dar um golpe – sim, chame o que você quiser, e mesmo com a aparência do formalismo legal, é um golpe sujo e desonesto – não pensam duas vezes em jogar o futuro do país na lama.
Paralisado há mais de um ano, o Brasil é impedido de continuar a avançar e se consolidar como nação em desenvolvimento. Ninguém negocia uma saída, todos querem o quanto pior melhor.
Juntando-se, estes grupos não se importam com o futuro e aceitam qualquer coisa desde alianças espúrias com grupelhos elitistas, saudosos dos tempos de tortura e exceção das ditaduras militares, apoio a corruptos e outros contraventores que apontam o dedo para os outros para não apontarem para eles e ideológicos que querem a volta do Estado Mínimo e liberal, numa visão política anacrônica e atávica.
Covardes, estes grupos se aproveitam da impopularidade do governo e a fraqueza política da presidente Dilma Rousseff para não fazer o debate e nem expor para a população seus verdadeiros intentos.
Apoiados na grita contra a corrupção e na consequente criminalização da política, se escondem na falta de projeto político coerente e democrático. A falsa ideia de bagunça macroeconômica no governo – altas pontuais na inflação, rebaixamento, um deficit temporário nas contas, a falácia do isolamento do Brasil no mundo e a supervalorização dos efeitos nefastos da corrupção – esconde uma falta de proposta e o medo de expor o que realmente acreditam.
Todos sabem: com estabilidade política, o Brasil retomaria o seu rumo ao crescimento em pouco tempo, com distribuição de renda, já que fundamentos macroeconômicos o permitiriam. E o resultado das urnas, ainda seria imprevisível, dando uma chance para a oposição de assumir um país legitimamente em 2019 e mudar as políticas com o aval do voto. Sem estabilidade política, ninguém investe e o Brasil fica a deriva, arriscando perder até estes fundamentos.
Poderiam ter escolhido o embate democrático de conquistas de mentes nas ruas e votos no parlamento nos quatro anos que tem até as próximas eleições, mas não: escolheram a destruição da nação por meio de alianças espúrias baseadas em conchavos e manobras corporativistas, apoiando apenas interesses específicos, sem se preocupar com qualquer visão de nação.
Mesquinhos, não revelam que o resultado deste movimento será ainda mais instabilidade política, perda de legitimidade institucional e continuação da piora da economia e, consequentemente, da vida da população. E pior: sem saber quem assumiria o poder, o embate dos oportunistas de plantão se esquentaria, levando o país à beira do abismo autoritário. Quem assumirá o poder imediatamente após o golpe? O vice-presidente, o presidente da Câmara dos Deputados? Com qual legitimidade?
Mas, aqui, é necessário uma pausa, para discutir a corrupção.
Neste quesito, o moralismo seletivo dos golpistas é acachapante e obsceno: não querem investigação e punição justa dos corrupto, querem vingança e linchamento dos que estão no poder. Os ideológicos, querem anular qualquer avanço feito nos últimos anos para o estado de bem-estar social; os raivosos querem matar os que supostamente lhes fizeram mal; os oportunistas querem enfraquecer o campo oposto para tomarem o poder e, sem confiança no voto, se manterem no poder.
A corrupção, antes e durante o governo do PT, é de fato alarmante, gigante, nefasta e precisa ser combatida. O Brasil teria os instrumentos para combater a corrupção e já começou a usá-los. A polícia federal e o ministério público investigam, o judiciário julga e pune. E o executivo não interfere.
Enquanto isso, as novas leis de transparência e a crescente vigilância da sociedade pelas redes sociais caminham para denunciar e elucidar os malfeitos do poder público e, agora, do poder econômico das corporações.
Poder-se-ia elencar aqui este movimentos, mas alguns fatos – nacionais e internacionais – podem ser lembrados para entender que o combate a corrupção, mesmo dentro dos partidos e próprias instâncias do governo, não significam a derrubada do governo.
É bom que se diga que, em mais de um ano de investigação não conseguiram, por mais que tentassem, uma ligação entre o esquema superfaturamento de desvio de dinheiro em contratos entre empresas privadas com a Petrobras – vulgo Petrolão – e a presidente Dilma. O máximo que se chegou é à acusação hipócrita de que, como as empresas investigadas doaram para a campanha dela, então é dinheiro de corrupção. Mas, o que dizer ao ver estas mesmas empresas deram quantias até maiores para o principal candidato da oposição, o alucinado Aécio Neves?
Mesmo comprovadas e contabilizadas, com as contas de campanha aprovadas pelo TSE, estas doações estão suspeitas num eterno e destruidor terceiro turno. Mas o que dizer de acusações similares por operadores do esquema para a oposição? O que dizer de contratos com as mesmas empreiteiras assinados por governos liderados pelas oposições golpistas?
Não, não há legitimidade na acusação.
Nas investigações e no julgamento do suposto Mensalão, o país não parou. Os golpistas não tiveram ânimo para pedir o impeachment do Lula. E políticos e empresários foram presos e respondem por seus atos, com alguns danos para o Estado de Direito, estes muito mais no campo processual do que no campo investigatório em si.
Mas o país seguiu. A democracia foi fortalecida e a nuvem que pairou em cima do partido no poder não escureceu o futuro da nação.
No Reino Unido, parlamentares acusados de desmando foram execrados, defenestrados e punidos. Parlamentares do próprio governo, inclusive alguns ministros, foram envolvidos no lamaçal. Num parlamentarismo, seria mais fácil a troca de governo. Mas o governo não caiu e o escândalo de corrupção teve seu curso normal dentro da democracia e do estado de direito.
Agora, no Brasil, querem diferente. Abandonaram qualquer defesa da democracia e do estado de direito e querem ludibriar a nação para assumirem o poder e não dizem para que.
Esta é a diferença entre uma democracia sólida e uma em construção.
Os golpistas escondem atrás de uma imprensa criminosa por sua seletividade. Uma imprensa alinhada com os interesses econômicos e ideológicos. Uma imprensa aguerrida – no mau sentido – a criar uma narrativa de terra arrasada.
São Paulo, terra de arranha-céus, sabe muito bem o que é ter uma imprensa seletiva a favor de um governo alinhado com seus interesses. Há anos, mandos e desmando construíram a pior e mais assassina polícia no país; um sistema de saúde que destruiu um dos melhores hospitais do país, a Santa Casa; um governo que jogou no lixo o melhor canal de TV pública; uma administração que atrasa obras e assina aditivos com as mesmas empreiteiras acusadas na Alva Jato sem a população nem sequer ver os benefícios de trilhos construídos e, finalmente, o fechamento de escolas e o
descalabro na gestão de recursos hídricos.
Assim, tudo isso culmina com aumentos para o secretariado do governo Geraldo Alckmin, sem a imprensa nem sequer escrever um texto contra, e muito menos dar uma manchete. Sobre todos estes desmandos ficamos sabendo quase que por acaso.
É nesta imprensa parcial e bairrista – que também controla a maioria da informação em nível nacional – que vamos confiar?
Mesmo assim, governador eleito, e apesar de várias razões políticas, não se pede seu impedimento. Sustêm uns que, se a cobertura do governo paulista pela imprensa fosse equilibrada, Alckmin não seria eleito, pelo menos no primeiro turno e, durante o seu (des)governo, multidões pediriam seu afastamento.
Então, será nas simplórias explicações das chamadas pedaladas fiscais, nos fazendo de burros por achar que não entenderíamos o que realmente aconteceu e que já foi feito em governos anteriores sem um questionamento sequer, que vamos acreditar e aceitar o abandono de nossos sonhos?
De certo, na política não há vácuo e o que os ideológicos, raivosos e oportunistas promotores do golpe estão fazendo não é nada mais do que política: ocuparam um espaço deixado pelo governo Dilma. A disputa está aí.
Na sua incapacidade política, Dilma aceitou parte do receituário da oposição e fez o que disse em campanha que não faria, sem uma aceno sequer aos seus apoiadores. Assim, afastou de si uma rede de movimentos prontos para defender seu mandato. Agora, este espaço está sendo ocupado pelos desocupados que alimentam a ideia de golpe e em aberta disputa por todas as forças políticas.
Mas nem todos os erros políticos podem justificar sua derrubada do governo nestas circunstâncias, como não caíram nem governos anteriores Brasil e nem em outros países.
A defesa da democracia hoje é o principal mote para a mobilização em defesa do governo e contra o golpe.
E a cada dia fica mais claro: os que querem o derrubar o governo estão arrasando a terra para tomar o poder e nem por isso param um minuto para pensar no futuro da nação. Com apoio da mídia, dos corporativistas nos tribunais, dos conchavistas no TCU e do ministério público, se iludem de que não existem vozes contrárias. Mas existem sim: apesar de tudo e de todos os erros políticos não somos poucos os que vamos defender o nosso voto e nossos sonhos.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Como o diabo gosta
Tá tudo como o diabo gosta.
Pela primeira vez desde o fim das eleições do ano passado, as forças que destruíram nossa alta estima podem relaxar e as imagino, agora, sentadas, com os pés na mesa, mãos por de trás da cabeça, sorrindo ao ler as manchetes da intensificação da crise política e econômica (em breve social) que aflige o país.
No últimos mais de 200 dias com a PF, o MP, o judiciário, os grupelhos golpistas, os velhinhos golpistas, a imprensa, alas do governo, o congresso por inteiro, a hipócrita oposição, o setor financeiro, os especuladores no mercado de ações e de câmbio vêm redobrando esforços para destruir o país, um partido, uma visão de nação, tudo por uma disputa cega, moralista e policialesca pelo poder.
Agora todos podem relaxar e gozar.
A coisa ganhou elán e já se embala com uma inércia própria: ninguém precisa fazer mais nada além de esperar para tomar o poder já que as empresas não investem, os juros sobem, as vendas caem, o desemprego aumenta, o governo corta, o congresso remenda adicionando gastos, o judiciário sobe no telhado com seus benefícios feudais, o PT rouba, o PSDB é premiado, a PF tá solta para prender todos todas as sextas com operações de nomes esdrúxulos, o MP controla o país, a 1ª instância do judiciário governa...
Mas o que eles não sabem é que nesta rota todos serão aniquilados e talvez, talvez, o maior ganho que teremos no futuro será ter revelado para o país e ao mundo as entranhas do modus operandi do capitalismo que com seus conchavos, financiamentos e lobbys multimilionários que sempre compraram o poder político.
Tudo parece ter sido negociado e cartelizado por valores em milhões de reais. Não há interesse público. Agora, como a política inteira está criminalizada, também será criminalizada toda relação entre o setor privado e o setor público.
Não poderá mais haver Estado. Mas não esqueçamos que estes mesmos conchavos e cartelização também ocorrem nas relações entre empresas privadas, agora livres para continuar com um Estado destruído por ele mesmo. Tudo sendo levado pelo ralo por um moralismo policialesco a 'la brasileira'.
Mas peraí, o diabo não existe, então ele não pode gostar de nada, então, quem gosta? E o povo em tudo isso?
Pela primeira vez desde o fim das eleições do ano passado, as forças que destruíram nossa alta estima podem relaxar e as imagino, agora, sentadas, com os pés na mesa, mãos por de trás da cabeça, sorrindo ao ler as manchetes da intensificação da crise política e econômica (em breve social) que aflige o país.
No últimos mais de 200 dias com a PF, o MP, o judiciário, os grupelhos golpistas, os velhinhos golpistas, a imprensa, alas do governo, o congresso por inteiro, a hipócrita oposição, o setor financeiro, os especuladores no mercado de ações e de câmbio vêm redobrando esforços para destruir o país, um partido, uma visão de nação, tudo por uma disputa cega, moralista e policialesca pelo poder.
Agora todos podem relaxar e gozar.
A coisa ganhou elán e já se embala com uma inércia própria: ninguém precisa fazer mais nada além de esperar para tomar o poder já que as empresas não investem, os juros sobem, as vendas caem, o desemprego aumenta, o governo corta, o congresso remenda adicionando gastos, o judiciário sobe no telhado com seus benefícios feudais, o PT rouba, o PSDB é premiado, a PF tá solta para prender todos todas as sextas com operações de nomes esdrúxulos, o MP controla o país, a 1ª instância do judiciário governa...
Mas o que eles não sabem é que nesta rota todos serão aniquilados e talvez, talvez, o maior ganho que teremos no futuro será ter revelado para o país e ao mundo as entranhas do modus operandi do capitalismo que com seus conchavos, financiamentos e lobbys multimilionários que sempre compraram o poder político.
Tudo parece ter sido negociado e cartelizado por valores em milhões de reais. Não há interesse público. Agora, como a política inteira está criminalizada, também será criminalizada toda relação entre o setor privado e o setor público.
Não poderá mais haver Estado. Mas não esqueçamos que estes mesmos conchavos e cartelização também ocorrem nas relações entre empresas privadas, agora livres para continuar com um Estado destruído por ele mesmo. Tudo sendo levado pelo ralo por um moralismo policialesco a 'la brasileira'.
Mas peraí, o diabo não existe, então ele não pode gostar de nada, então, quem gosta? E o povo em tudo isso?
domingo, 6 de setembro de 2015
Sobre Felicianos, Datenas, Russomanos e o fracasso das oposições
Feliciano é um político sectário - não porque é evangélico - de um partido nanico cristão. Datena é um ex-locutor de futebol, apresentador do pior programa policialesco brasileiro e que, portanto, surfa na onda da histeria anti-política que assola este país. Russomano, o quase prefeito das últimas eleições, quer mostrar que consertou o telhado de vidro que o catapultou do segundo turno do último pleito para alcaide.
Sozinhos, estes personagens não teriam importância, mas juntos, são os candidatos 'anti-haddad' sonhados pela oposição ao governo petista paulistano. Do mesmo lado oposicionista, tempos a ex-petista Marta Suplicy e o ex-Sabesp Andrea Matarazzo (que tem a unção de FHC, candidato derrotado à prefeitura da maior cidade do país).
Ajudando este estamento oposicionista, a mídia procura pelo em ovo para desabonar o governo do petista Fernando Haddad e manter seus índices de aprovação baixíssimos, como é de praxe para qualquer prefeito progressista da cidade.
Mas, ao traduzir este possível embate eleitoral para o plano nacional, é possível ver o fracasso das oposições contra o cambaleante governo federal petista: em mais de uma década, as oposições não conseguiram trazer novos nomes e tampouco conseguiram construir uma nova agenda para o país.
É constragedor, já que a única novidade na política oposicionista são os grupelhos de direita e ultraliberais com teses anacrônicas e desencontradas sobre o papel do Estado, sobre liberdade de expressão baseadas em suas análises históricas distorcidas.
Em tempos de 'impeachômetro', criado por um blog 'progressita' que mede a subida e descida do apoio político e popular à tese da destituição da presidente Dilma, este é um fato desalentador para o futuro do país.
O PT com Dilma - e até com Lula - não consegue mais se apoiar no capital político de crescimento econômico, distribuição de renda, reafirmação de direitos, política internacional soberana entre outras mudanças profundas que ajudaram a promover na sociedade brasileira.
Dizem alguns observadores que ciclo do Lulo-petismo acabou e um novo ciclo político-econômico precisa surgir. De fato, um novo ciclo precisa ser criado, mas mais pelo fracasso do nosso sistema político do que pelo suposto fracasso do chamado Lulo-petismo.
Mas, afundadas em acusações sem fim sobre o financiamento de campanha, as lideranças do PT mal conseguem convencer seus próprios eleitores que têm alguma visão de futuro para a nação.
Na mesma semana da criação da Frente Brasil Popular, um movimento de esquerda - formado por sindicatos e movimentos sociais, entre eles os poderosos MST e MSTS - a procuradoria geral da república, liderada pelo reconduzido Janot, abre investigação sobre os próceres da república para saber se o dinheiro das campanhas presidenciais petistas de 2006 a 2014 (só as campanhas petisras) teve origem no esquema de propinas montado na Petrobras.
A tese principal é que as doações legais tinham como base a aprovação pela diretoria da estatal de crimes como superfaturamento e formação de cartel na contratação de grande obras. Assim, a doação para o partido político no poder era fruto de achaques baseados no trâfego de influência política dos diretores apadrinhados.
No fundo, esta acusação é o início do melancólico final de todo um esquema político-econômico de controle do poder pelo sistema capitalista nacional.
Não há mais saída: em tempos de redes sociais e crescente digitalização da sociedade, o jeito de fazer política terá que mudar.
Certos que serão os herdeiros do poder após a derrota do PT - tanto nas eleições em 2018 ou em um eventual impedimento da chapa da presidente Dilma - as oposições esperam nos corredores chutando e guspindo no que acham ser o cachorro morto das esquerdas, lideradas pelo PT.
Mas, apesar do gritos de injustiça dos acusados (que apontam o dedo para a peserguição), a fúria policialesca-jurídica-moralista-midiática que agora se torna contra o partido no poder com certeza se tornará contra a oposição de esquerda, de centro ou de direita que assuma o poder, porque estamos falando da criminalização da política.
Nos mais de 5 mil municípios e nos 27 estados país afora, sempre se encontrarão correlações estatísticas entre as doações de campanha e contratos dos doadores com o setor público. A partir daí, as ligações pessoais por meio de reuniões, telefonemas, e-mails e até viagens entre lideranças políticas e empresariais se encaixarão como uma luva na tese de lavagem de dinheiro de contratos expúrios e não transparentes.
E não só no Brasil. Nos Estados Unidos - onde a atividade de Lobby é legalmente reconhecida - , na União Européia ou no Japão a correlação entre o dinheiro e contratos com grandes grupos são comuns. E, de fato, foram muitas das origens dos grandes escândalos políticos na história do século XX e XXI.
Mas, ficar apenas nas constatação de que a política moderna nas grandes democrácias é movida a dinheiro, não nos ajuda dar um pequeno passo sequer em direção à construção de um novo futuro.
Cá entre nós, quem realmente se surpreende - a não ser os moralistas e totalitários de plantão - que empresas e grupos econômicos olham doações de campanha como investimentos? No tucanistão de São Paulo ou na república Lulo-petista, a história se repete.
E aí, quando as oposições deveriam aproveitar o enfraquecimento político do governo e o seu próprio ostracismo do poder central no país para debater, procurar e formar novas teses e lideranças, tudo é jogado no ar na esperança de que a maioria da população vai acreditar que eles serão a redenção.
O sinal mais forte disso é o rol de pré-candidatos que se apresentam para a prefeitura de São Paulo. Feliciano, alçado à notoriedade pelo seu arraigado preconceito contra todos os não cristãos; Datena com seu tom histriônico anacronicamente pedindo para a polícia - que ele não controlará se eleito - para sumariamente assassinar supostos bandidos; e o bom moço do liberalismo do Morumbi, Russomano, vociferando contra as pequenas empresas - e esquecendo as grandes doadoras para suas campanhas - olha para cidadãos apenas como consumidores.
Um atavismo político inacreditável.
À espreita deste não debate político, uma direita totalitária pronta para destruir o Estado, atacar minorias e todos os direitos sociais conquistados pelos brasileiros nas últimas décadas.
As bandeiras vermelhas, alçadas contra o ajuste fiscal do governo que elegeram e contra o eterno imperlialismo ianqui que quer destruir a Petrobras, também têm sua dose de anacronismo histórico, mas estes estão mais perto de um caminho futuro para o Brasil.
Firme entre as propostas da Frente Brasil Popular está a ideia de uma assembleia para fazer uma profunda reforma política. Uma assembleia popular aliada a um debate nacional intenso sobre o tema.
No fulcro desta proposta está a reeducação política da nação e, principalmente, dos nossos jovens.
Desde a redemocratização, nossos jovens foram deseducados políticamente - de um lado pelo desmandos dos políticos e empresários e do outro pela constante campanha da mídia. Mas, principalmente, pela falta de coragem dos democratas de garantir a investigação e punição dos crimes cometidos durante a ditadura e a construção de um sistema democrático de comunicação.
Acreditavam que a conciliação, sem confrontos, resolveria tudo. Acreditavam em Papai Noel.
Muitos destes jovens hoje são adultos e pais de famílias e outros agora entram na vida política nacional, com direito a votar com 16 anos. E eles ignoram os desmandos do passado.
O debate sobre o que é política e como se faz política é de extrema urgência. Precisamos que nossa política ressurja como um Fênix das cinzas da velha política.
A população Brasileira precisa, de fato, aprender o que é representação, pacto federativo, estado de bem estar social, Estado de direito e proteção de minorias. Precisam conhecer a fundo a nossa história não tão republicana para entender que o que existe de liberdade e direitos hoje é fruto de sacrifício de muitos que lutaram e acreditaram num futuro.
Os nossos jovens precisam entender os sistemas de pesos e contrapesos do sistema tripartide de poder para daí começar a debater os novos sistemas de representação e participação política, utilizando mecanismos digitais aos quais estão acostumados.
Não podemos deixar que ideias antigas e conceitos anacrônicos moldem a nova política que temos que construir. Temos que canalisar a inovação social acumulada na sociedade para podermos transformar a terra arrasada na política.
Felicianos, Datenas e Russomanos sempre vão aparecer, e podem sempre ser eleitos, mas só com uma reforma política abrangente, popular e inovadora que eles não serão usados pelas fracassadas oposições e pela destruída situação como um Cavalo de Tróia para alçar mais um salvador da pátria ao poder.
Não somos nem almas a espera de uma slavação, nem anjos vingadores e nem consumidores frustrados, como querem Feliciano, Datena e Russomano.
Somo cidadãos.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Manifestantes da direita não ouviram o recado dos que ficaram em casa
Ficou no tamanho certo, a manifestação da direita do dia 16. Esta foi, em resumo, a minha resposta aos meus filhos que, curiosos, queriam saber o que eu tinha achado das manifestações.
Pelo que li, talvez umas 200 mil pessoas no país inteiro foram às ruas pedir alguma coisa como o fim do PT, impeachment e/ou prisão da presidente, 'fora' Lula (não sei de onde), fim das esquerdas, volta de um regime militar e outras atrocidades contra a língua portuguesa - a mais fina Flor do Lácio - e contra a nossa história, que não ouso reproduzir.
Para meus filhos - um, que está no início da adolescência e outro, no final da infância - é tudo muito curioso, pois no ambiente em que vivem na escola ou entre amigos não há dissidência: é um blá-blá-blá contra a Dilma e PT e políticos e tudo que está aí.
Um deles frequenta uma escola particular na Zona Norte de São Paulo. O outro, está em uma escola técnica pública do ensino médio. Ambas boas escolas, mas que refletem uma predominância de opiniões apolíticas que circulam na mídia e nas redes sociais, com críticas rasas ao que está acontecendo.
Por isso, eles ficam fascinados quando eu me recuso a xingar os manifestantes ou governos com os quais não concordo, preferindo analisar a situação do ponto de vista histórico, social e político.
O que intrigou meus filhos foi o fato de muitos nas ruas pedirem intervenção militar. No dia a dia deles não há como entender o que é isso a não ser quando eu ou parte da família deles explicam o que é uma intervenção militar e os resultados da última que o país sofreu em 1964.
No entanto, eles têm consciência que estão vivendo dias históricos, mas acharam curioso pedir intervenção militar em país que vive a mais plena democracia.
Mas, como disse, a 'grande manifestação' ficou de bom tamanho, ou seja, tamanho suficiente para ver a alienação histórica e social de uma minoria histriônica. Não vou brigar com números, pois eles já não são importantes e nem quero aqui fazer análises conclusivas. Quero apenas publicar impressões pessoais.
Portanto, o que, na verdade, importa é o recado de grupos que não conseguem mais mobilizar além de um teto dezenas de milhares de pessoas pois seu radicalismo vazio de propostas não atrai a maioria.
Se de um lado falta à presidenta Dilma a estatura de líder político capaz de representar os sonhos de uma nação e pôr um ponto final nesta brincadeira, do outro - o dos organizadores da manifestação - também não há líderes que explicam qual é a visão deles para o futuro da nação.
O fim da corrupção perpetrada por alguns, tão repudiada por eles, é um sonho, mas eles não explicam como vão fazer isso.
Os animadores nos carros de som neste final de semana ficaram apenas repetindo o que disse o ex-candidato do PSDB, Aécio Neves, em plena campanha eleitoral no ano passado, que bastava tirar o PT do poder para tudo melhorar.
Uma indignação mais do que seletiva.
Esta 'solução' não convence uma maioria que, apesar de estar desiludida com o governo, tem experiência de 30 anos de democracia e que, a cada dois anos, se acostumou participar de um debate - mesmo que mínimo - sobre propostas para o futuro da cidade e do país.
Pessoas que já elegeram um governante e depois outro que estava na oposição e sabem que terão a chance de eleger mais outro ano que vem e daqui a quatro anos.
A mensagem dos que não foram à rua foi mais forte do que o recado do raquítico grupo de radicais: sem propostas para o país, não há apoio.
Talvez uma luz sobre o que está acontecendo vem de uma pesquisa recente mostrando que 71% acreditam que a oposição quer o impeachment puramente por interesses próprios.
Mas, para muitos, a troca da mandatária não seria seis por meia dúzia, seria sim trocar o certo pelo incerto e aprofundar de vez a crise política que já está esgotando a paciência da população que começa também a enfrentar uma crise econômica.
E todos sabem: sem o fim da crise política, a crise econômica se alonga e se aprofunda, pois sabem que só um mínimo de governabilidade dará a chance para o país sair desta.
É claro que houve uma mudança de posição entre os líderes empresariais e da mídia contra esta crescente desestabilização econômica para criar este clima, mas é apenas o outro lado da mesma moeda.
Os 'Aloprados' On-line, o MBL, os #vemprarua e outros grupelhos não entendem o recado dos que ficaram em casa: lhes sobra arrogância e lhes falta densidade política para compreender que não têm credibilidade política para mover massas além do seu próprio deslumbre pela notoriedade que conquistaram nas redes como Facebook e WhatsApp.
Nas ruas e na política real, o jogo é outro. No asfalto, o povo não é bobo.
E por isso mesmo que nada está ganho para o governo.
O movimento preocupante a favor do impeachment, aquele que goza de apoio dentro do próprio estamento politico e jurídico, ainda está vivo, apesar de não estar legitimado pelas ruas.
Há muito que fazer no campo político, mas, cada vez mais, os políticos percebem que precisam buscar o mínimo de governabilidade para que as conquistas sociais e políticas das últimas décadas - inclusive as deles de serem eleitos - não sejam jogadas fora e, com elas, qualquer possibilidade de continuar na vida política sem ameaças e sobressaltos.
O fascismo está, de fato, batendo às portas. Este é o outro recado destas manifestações: os radicais se mobilizam pelo silêncio dos outros.
Finalmente, acredito que a única conclusão contudente que podemos tirar do show de horrores que vimos neste final de semana é que direita está aí, forte, se alimentando da decepção das pessoas.
A semana começa, etretanto, com uma luz no final de túnel que há ainda um pouco de sanidade entre as lideranças políticas e empresariais de deste país que já perceberam que o povo não cai facilmente em ladainhas.
Trocando em miúdos, sem ter a legitimidade de uma eleição, o povo não aceitará troca na liderança do país. O brasileiro ainda tem muito a perder.
Pelo que li, talvez umas 200 mil pessoas no país inteiro foram às ruas pedir alguma coisa como o fim do PT, impeachment e/ou prisão da presidente, 'fora' Lula (não sei de onde), fim das esquerdas, volta de um regime militar e outras atrocidades contra a língua portuguesa - a mais fina Flor do Lácio - e contra a nossa história, que não ouso reproduzir.
Para meus filhos - um, que está no início da adolescência e outro, no final da infância - é tudo muito curioso, pois no ambiente em que vivem na escola ou entre amigos não há dissidência: é um blá-blá-blá contra a Dilma e PT e políticos e tudo que está aí.
Um deles frequenta uma escola particular na Zona Norte de São Paulo. O outro, está em uma escola técnica pública do ensino médio. Ambas boas escolas, mas que refletem uma predominância de opiniões apolíticas que circulam na mídia e nas redes sociais, com críticas rasas ao que está acontecendo.
Por isso, eles ficam fascinados quando eu me recuso a xingar os manifestantes ou governos com os quais não concordo, preferindo analisar a situação do ponto de vista histórico, social e político.
O que intrigou meus filhos foi o fato de muitos nas ruas pedirem intervenção militar. No dia a dia deles não há como entender o que é isso a não ser quando eu ou parte da família deles explicam o que é uma intervenção militar e os resultados da última que o país sofreu em 1964.
No entanto, eles têm consciência que estão vivendo dias históricos, mas acharam curioso pedir intervenção militar em país que vive a mais plena democracia.
Mas, como disse, a 'grande manifestação' ficou de bom tamanho, ou seja, tamanho suficiente para ver a alienação histórica e social de uma minoria histriônica. Não vou brigar com números, pois eles já não são importantes e nem quero aqui fazer análises conclusivas. Quero apenas publicar impressões pessoais.
Portanto, o que, na verdade, importa é o recado de grupos que não conseguem mais mobilizar além de um teto dezenas de milhares de pessoas pois seu radicalismo vazio de propostas não atrai a maioria.
Se de um lado falta à presidenta Dilma a estatura de líder político capaz de representar os sonhos de uma nação e pôr um ponto final nesta brincadeira, do outro - o dos organizadores da manifestação - também não há líderes que explicam qual é a visão deles para o futuro da nação.
O fim da corrupção perpetrada por alguns, tão repudiada por eles, é um sonho, mas eles não explicam como vão fazer isso.
Os animadores nos carros de som neste final de semana ficaram apenas repetindo o que disse o ex-candidato do PSDB, Aécio Neves, em plena campanha eleitoral no ano passado, que bastava tirar o PT do poder para tudo melhorar.
Uma indignação mais do que seletiva.
Esta 'solução' não convence uma maioria que, apesar de estar desiludida com o governo, tem experiência de 30 anos de democracia e que, a cada dois anos, se acostumou participar de um debate - mesmo que mínimo - sobre propostas para o futuro da cidade e do país.
Pessoas que já elegeram um governante e depois outro que estava na oposição e sabem que terão a chance de eleger mais outro ano que vem e daqui a quatro anos.
A mensagem dos que não foram à rua foi mais forte do que o recado do raquítico grupo de radicais: sem propostas para o país, não há apoio.
Talvez uma luz sobre o que está acontecendo vem de uma pesquisa recente mostrando que 71% acreditam que a oposição quer o impeachment puramente por interesses próprios.
Mas, para muitos, a troca da mandatária não seria seis por meia dúzia, seria sim trocar o certo pelo incerto e aprofundar de vez a crise política que já está esgotando a paciência da população que começa também a enfrentar uma crise econômica.
E todos sabem: sem o fim da crise política, a crise econômica se alonga e se aprofunda, pois sabem que só um mínimo de governabilidade dará a chance para o país sair desta.
É claro que houve uma mudança de posição entre os líderes empresariais e da mídia contra esta crescente desestabilização econômica para criar este clima, mas é apenas o outro lado da mesma moeda.
Os 'Aloprados' On-line, o MBL, os #vemprarua e outros grupelhos não entendem o recado dos que ficaram em casa: lhes sobra arrogância e lhes falta densidade política para compreender que não têm credibilidade política para mover massas além do seu próprio deslumbre pela notoriedade que conquistaram nas redes como Facebook e WhatsApp.
Nas ruas e na política real, o jogo é outro. No asfalto, o povo não é bobo.
E por isso mesmo que nada está ganho para o governo.
O movimento preocupante a favor do impeachment, aquele que goza de apoio dentro do próprio estamento politico e jurídico, ainda está vivo, apesar de não estar legitimado pelas ruas.
Há muito que fazer no campo político, mas, cada vez mais, os políticos percebem que precisam buscar o mínimo de governabilidade para que as conquistas sociais e políticas das últimas décadas - inclusive as deles de serem eleitos - não sejam jogadas fora e, com elas, qualquer possibilidade de continuar na vida política sem ameaças e sobressaltos.
O fascismo está, de fato, batendo às portas. Este é o outro recado destas manifestações: os radicais se mobilizam pelo silêncio dos outros.
Finalmente, acredito que a única conclusão contudente que podemos tirar do show de horrores que vimos neste final de semana é que direita está aí, forte, se alimentando da decepção das pessoas.
A semana começa, etretanto, com uma luz no final de túnel que há ainda um pouco de sanidade entre as lideranças políticas e empresariais de deste país que já perceberam que o povo não cai facilmente em ladainhas.
Trocando em miúdos, sem ter a legitimidade de uma eleição, o povo não aceitará troca na liderança do país. O brasileiro ainda tem muito a perder.
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