Na entrada do cinema Arteplex Itau-Unibanco Pompeia* ontem, foi uma cena tirada do Ardil 22 de Joseph Heller, onde a lógica sempre favorece o sistema:
- Quantos anos tem seu filho?
- 12.
- Tem carteira de identidade ou carteira escolar?
- Não. Não trouxe, pois nunca me pediram identificação antes.
- Então não posso cobrar meia entrada.
- Mas olha para a cara dele, você acha que ele não tem 12 anos?
- Estou seguindo ordens da empresa. Até 13 anos, pode pagar meia entrada, mas tem que comprovar.
- E depois dos 13 anos?
- Paga inteira.
Detalhe: o cinema custa R$24, inteira, e R$12, meia.
Como realmente foi o diálogo pessoa física - empresa Itau-Unibanco (o banco 'mais sustentável do mundo'):
Empresa: Você quer pagar meia entrada, então vai ter que ter uma bela e boa desculpa.
Eu: Meu filho é menor de idade e estou acompanhando ele no início de sua vida social e cultural. Ele tem 12 anos.
Empresa: Mentiroso! Vai ter que provar, por que quero cobrar o máximo possível para lucrar mais em 2011 do que os R$13,3 bilhões que lucrei em 2010, portanto vamos cobrar todas as entradas inteiras que podemos.
Eu: Mas, olha, você acha que estaria mentindo? Meu filho parece ter mais de 13 anos?
Empresa: Não importa, o que importa é que arrecademos o máximo possível e vamos fazer isso até o limite da lei.
Eu: Mas eu tenho que comprovar também que ele estuda já que é minha obrigação garantir que ele frequente ensino fundamental inteiro até 14 anos? Você sabe que se ele não estiver na escola posso ir para a cadeia?
Empresa: Não importa. Tem que comprovar. O cinema é meu e deixo entrar quem eu quero. Mas como sou uma empresa boazinha, e você contestou, vou deixar você pagar meia, só desta vez.
Eu: Vou reclamar oficialmente.
Empresa: Pode reclamar, o endereço da Internet está aqui. No meio de tantas outras reclamações, a sua não vai fazer a menor diferença. Obrigada, e digite a senha que tenho que arrecadar mais dinheiro para os acionistas da empresa.
A atendente e a gerente foram sempre educadas e atenciosas, o meu problema não é com elas, é com as regras impostas pelo banco.
Tudo bem, tenho que portar documento de identificação civil neste país, mas só preciso apresentar às autoridades, e não para o setor privado. Tudo bem, para comprovar meia entrada para adulto e após idade escolar tem que provar que está matriculado em algum curso reconhecido.
Tudo bem que este ainda é o país do jeitinho, da vantagem, das pessoas que querem tudo para elas, sem dar retorno.
Mas não tenho que aceitar a barbárie e acredito que está na hora de mudar. No fundo, senti que o banco, que cobra já tão caro pelo cinema, suspeitava que eu estivesse tirando vantagem deles e, portanto, reduzindo sua receita. De um banco, do qual não só sou cliente, e cujas campanhas publicitárias dizem que é um banco humano e responsável.
No fundo é só um acumulo de responsabilidades e cobranças jogadas para cima do indivíduo, o elo mais fraco.
Aí diriam para mim: Tudo bem, você parece um cara honesto, mas, e as outras pessoas que realmente querem 'fraudar' e pagar meia entrada? Seria o samba do crioulo doido e o cinema iria perder dinheiro e iria ter que cortar o serviços e você não teria cinema para ir. Além disso é a casa deles e eles que criam a regra.
Este não é problema meu. Na verdade tá tudo errado. O problema é que os direitos são todos condicionados porque somos todos suspeitos até provarmos o contrário. A frase que mais me arrepia é quando dizem: ele mora na favela, mas é gente boa, na verdade a maioria das pessoas que moram lá são honestas... (leia-se: suspeito que o cara faz o 'diabaquatro', como a maioria dos negros de lá, mas vou dar uma chance a ele porque sou bonzinho e tirei alguma vantagem)
O Itaú-Unibanco, na verdade, não faz nada de diferente. O setor público é ainda pior. Cito apenas o caso do bilhete de transporte escolar aqui em São Paulo que não só tem cotas limitadas de acordo com o número de dia letivos, mas cujo benefício não é estendido para TODAS as crianças até 16 anos, independente de estar na escola ou não.
Direito é direito e não deveria ser condicionado. Se queremos integrar a nossa população, que se eduquem, que tenham acesso à cultura, ao esporte, ao lazer, nada melhor que facilitar o ir e vir e garantir certas vantagens por ser criança - leia-se: ser que não tem condições de garantir a renda própria ainda, pois a prioridade é estudar.
Fui chamado de mentiroso ontem, mas no Brasil de hoje, isto é normal: Você é suspeito pelo jeito que veste, pelo endereço que tem, pela cor da pele, pela tentativa de garantir alguns direitos básicos.
Você é suspeito por protestar, por gostar de política, por não fazer o que o outro quer.
É suspeito por andar na garupa da moto, por entrar no banco de bolsa ou sem bolsa, por falar ao celular no banco, por solicitar cotas raciais, por ganhar dinheiro, por não ter dinheiro, suspeito por não gostar de TV, não ligar a mínima para de Roberto Carlos, por não torcer para a seleção, por não acreditar em deus. Enfim, suspeito de tudo antes que você prove que não é mal-intencionado.
O que eu esperaria que tivesse acontecido:
Eu: Três meias entradas por favor, duas crianças e um adulto.
Empresa: Por favor comprove a matrícula regular do adulto que está solicitando a meia entrada, é o senhor?
Eu: Sim, aqui está.
Empresa: Ok. Favor digitar a senha do cartão.
Simples assim. Criança é criança e se queremos as crianças felizes e despreocupadas que aparecem nas campanhas do Itaú, vamos deixar de suspeitar delas por serem crianças e respeitar seus direitos até os 16 anos, antes que a criança comece a ser adulta.
PS Apoio plenamente as mudanças na lei que o governo está promovendo para estender o ensino obrigatório até os 17 anos, fim do ensino médio.
*PPS O nome correto do cinema é Unibanco Arteplex Pompeia, mas quis deixar assim para explicitar a ligação profunda que este cinema tem com o banco na rua principal.
sábado, 10 de dezembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
De novo o etanol celulósico - BP começa a produzir em 2013
Voltando à questão do etanol celulósico, que, conforme comentei recentemente, é o objeto de um corrida mundial liderado por empresas tradicionais de petróleo, novas startups e governos. Discutindo o assunto nesta última edição, a revista Pesquisa Fapesp, traz uma entrevista com o geneticista Roland Somerville que dirige o Instituto de Energia a biociências da Universidade de Califórnia em Berkerley.
Até aí tudo bem, mas na entrevista ele revela que tem um orçamento de US$500 milhões - metade vindo da petroleira BP - para desenvolver etanol celulósico a partir do milho até 2020. Ele revela na entrevista que a BP está investindo US$130 milhões numa refinaria em escala comercial etanol celulósico na Flórida. O início está previsto para 2013. A DuPont também espera inaugurar uma fábrica ano que vem. Em 2030, o governo americano projeta 300 fábricas com capacidade de 22 bilhões de litros por ano.
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Até aí tudo bem, mas na entrevista ele revela que tem um orçamento de US$500 milhões - metade vindo da petroleira BP - para desenvolver etanol celulósico a partir do milho até 2020. Ele revela na entrevista que a BP está investindo US$130 milhões numa refinaria em escala comercial etanol celulósico na Flórida. O início está previsto para 2013. A DuPont também espera inaugurar uma fábrica ano que vem. Em 2030, o governo americano projeta 300 fábricas com capacidade de 22 bilhões de litros por ano.
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domingo, 11 de setembro de 2011
Um candidato verde e inovador para São Paulo?
Temos hoje a possibilidade de ter um candidato verde para a cidade de São Paulo nas eleições de 2012. A notícia da oficialização da formação do PSD de Kassab traz junto a especulação sobre o sucessor do atual prefeito que não sabe se é de direita, centro ou esquerda e que não sai do muro em relação ao governo federal e os tucanos.
Eduardo Jorge seria um dos nomes para defender o 'legado' de Kassab. Coisa complicada, mas isso é política. Kassab foi eleito pela direita conservadora de São Paulo para bloquear a eleição de Marta Suplicy e manter a esquerda longe do poder. Mas seu legado é pouco claro. Removeu a poluição visual, mas também 'limpou' o centro fechando vagas nos albergues.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Jornais paulistanos encerram trégua com Kassab, enfim conheceremos SP
Juntando os fatos e comentários que testemunhei e li nos últimos
dias, chego a conclusão que foi dada a largada para a temporada de caça a
Gilberto Kassab e seu novo partido PSD. E no fundo, isso é bom, pois as
mazelas da cidade vão começar a aparecer e ser discutidas como nunca foi
enquanto o prefeito era aliado do principal partido de oposição ao
governo federal, o PSDB.
Nesta segunda, as manchetes dos jornais paulistanos estavam estampavam nas só informações nada alentadoras para Kassab. Enquanto um noticiava a tendência do PSD entrar no leque apoio dos nanicos PT em esfera federal, o outro jornal dava a liderança de Marta Suplicy do PT para a corrida eleitoral à prefeitura que acontecerá ano que vem. Além disso, uma surpresa, o Jornal da Tarde, do Grupo O Estado de S.Paulo, mancheteava a falta de assoreamento e limpeza dos córregos da capital.
Bom, pensei com meus botões, enfim vemos notícias sobre a iminente enchente que aproxima-se da capital com a época de chuvas, coisa a que venho alertando neste blog, mas referindo-me ao Tietê.
Nesta segunda, as manchetes dos jornais paulistanos estavam estampavam nas só informações nada alentadoras para Kassab. Enquanto um noticiava a tendência do PSD entrar no leque apoio dos nanicos PT em esfera federal, o outro jornal dava a liderança de Marta Suplicy do PT para a corrida eleitoral à prefeitura que acontecerá ano que vem. Além disso, uma surpresa, o Jornal da Tarde, do Grupo O Estado de S.Paulo, mancheteava a falta de assoreamento e limpeza dos córregos da capital.
Bom, pensei com meus botões, enfim vemos notícias sobre a iminente enchente que aproxima-se da capital com a época de chuvas, coisa a que venho alertando neste blog, mas referindo-me ao Tietê.
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